Sondagem diária: Ventura cresce e junta-se a Seguro e Cotrim na fuga ao pelotão
Texto de Pedro Araújo e gráficos de Inês Moura Pinto
André Ventura registou uma subida nas intenções de voto, nas presidenciais que se realizam neste domingo, atingindo o patamar dos 22%, facto que acabou por deixar o almirante Gouveia e Melo para trás (15,4%). Ou seja, de acordo com a décima entrega da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, a fuga ao pelotão de candidatos é agora composta por António José Seguro (22,6%), Cotrim Figueiredo (20,3%) e o líder do Chega, que aliás com este resultado prova que poderá ter um resultado muito parecido com o que foi alcançado pelo seu partido nas legislativas de 2025 (22,76%).
A sondagem alargou a sua base, de 600 para 755 entrevistas, que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de sensivelmente 3,64%. A conjugação deste facto com o próprio crescimento de Ventura afunila as escolhas eleitores num trio. Se medirmos a distância entre a projeção de Cotrim (20,3%), terceiro classificado nesta "décima etapa" da corrida presidencial, e a estimativa relativa ao almirante, a distância é de 4,9 pontos, o que supera a referida margem de erro. Embora o ponto intermédio de Gouveia e Melo seja, agora, de 15,4%, mais 0,2 pontos do que no dia anterior e menos 3,8 pontos face a 5 de janeiro, a verdade é que o seu "score" máximo (18%) é inferior tanto ao mínimo estimado para António José Seguro (19,6%) como para André Ventura (19%).
Polémicas à parte
Os casos que têm envolvido Cotrim Figueiredo (acusação de assédio sexual e declaração de apoio a Ventura na segunda volta,, algo de que se diz arrependido) não poderão ser ainda muito levados em linha de conta nesta sondagem. Os factos que pertubaram a campanha do candidato liberal ocorreram na segunda-feira, dia 12, prolongando-se a polémica nos dias seguintes. Mais de metade das entrevistas desta sondagem ocorreram nos dias 11 e 12. Seja como for, Cotrim ainda tem hipóteses de disputar uma passagem à segunda volta, até porque o seu "score" máximo (23,2%) supera o mínimo de Ventura (19%) e até o de Seguro (19,6%). É verdade que caiu 0,5% face ao dia anterior, mas essa é uma oscilação que ainda não pode levar a interpretações de tendência.
Se Cotrim Figueiredo cresceu 2,3 pontos percentuais desde a "primeira etapa" destas sondagens (5 de janeiro), Seguro 3,3 pontos e Ventura e Ventura 3,1 pontos, há outros candidatos que fizeram o percurso inverso. Luís Marques Mendes, apoiado oficialmente pela AD, passou de 15,4% para 13,4%.. Mesmo o seu melhor resultado admitido pela sondagem (15,9%) deixa-o muito aquém dos resultados obtidos, em 2025, pela coligação que o apoia (31,21%). Seguro, com um ponto intermédio previsto de 22,6%, quase preenche a totalidade do "score" legislativo do PS no ano passado (22,83%), o que não quer dizer obviamente que todos aqueles que vierem a votar na sua candidatura sejam socialistas. Cotrim consegue protagonizar o fenómeno inverso: a IL obteve nas legislativas 5,36% e agora o seu candidato poderá ficar acima dos 20%.
Quem passa à segunda volta?
Quando se pergunta quem passará à segunda volta das presidenciais, independentemente do voto de cada eleitor inquirido, o cenário muda um pouco. Nesse contexto, aí teríamos uma luta eleitoral entre André Ventura (26%) e António José Seguro (24%). O líder do Chega cresceu 4 pontos face a 5 de janeiro, mas seguro melhorou o seu "capital político" em 13 pontos, o que configura uma trajetória com grande dinâmica de vitória. Em sentido contrário, Marques Mendes parece trilhar uma dinâmica de derrota, uma vez partiu com 32% em janeiro e está agora com 14%, isto é, menos 18 pontos percentuais. Já Henrique Gouveia e Melo parece ser o candidato da estabilidade neste capítulo, uma vez que partiu com 15% e agora desceu dois pontos percentuais. Cotrim Figueiredo não parece ter uma forte dinâmica de vitória, apesar de ter duplicado o seu score de 5%, em janeiro, para 10% nesta última sondagem.
Só dois atraem mais os jovens
Os jovens costumam contribuir muito para a abstenção, de acordo com o mais recente estudo feito em Portugal sobre o fenómeno, mas se a tendência se inverter no domingo, então há dois candidatos, entre os cinco com melhor desempenho até à data, que aparentemente beneficiarão desse fator: Cotrim Figueiredo e André Ventura, uma vez que têm um grande grau de aceitação na faixa dos 18-34 anos. O candidato liberal não surpreende ao conseguir agradar aos mais ricos (23,5%) e de o seu potencial eleitoral se concentrar na Grande Lisboa (27,3%). Por outro lado, o sexo masculino é maioritário no caso de Cotrim, 19,4% contra 16,1% do feminino. André Ventura tem grande acolhimento junto dos mais pobres (28,6%).
A predominância é também masculina no caso de Seguro (22,3), o candidato que tem demonstrado uma curva ascendente sustentada. Agrada também aos mais ricos (22,6%) e a idade também conta, uma vez que os eleitores com idades de 55 ou superiores parecem gostar dele. Ao contrário do que se pudessse pensar, o candidato saído das fileiras socialistas não tem grande sucesso na Grande Lisboa (14,3%), sendo maioritariamente apoiado pelo "resto do país" (22,3%), categoria que exclui Norte e Centro.
Marques Mendes assemelha-se a Gouveia e Melo ao captar melhor o interesse dos eleitores entre os 35 e 54 anos, embora o almirante tenha maior ascendente na Grande Lisboa (27,3%) e o social-democrata no Centro (15,9%). Quanto aos rendimentos, Gouveia e Melo capitaliza melhor o voto entre os mais ricos (23,5%) e Mendes entre os mais pobres (13,1%).
Ficha Técnica
Considerando a aproximação do final da campanha e as acusações divulgadas na segunda-feira dirigidas ao candidato Cotrim de Figueiredo, foi decidida um aumento do número de entrevistas diárias. Assim, a partir de 13 de janeiro (inclusive), o tamanho da amostra diária passou a ser de 350 entrevistas. A amostra de hoje é de 755 entrevistas recolhidas nos seguintes dias e com as seguintes proporções :
• 11 de janeiro: 202 entrevistas;
• 12 de janeiro: 203 entrevistas;
• 13 de janeiro: 350 entrevistas.
Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 755 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±3,64%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI - Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1540 tentativas de contacto, para alcançarmos 755 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,96%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

