Sondagem mostra de novo que Ventura perde com todos se for à segunda volta
Texto de Pedro Araújo e gráficos de Inês Moura Pinto
Faltam quatro dias para as eleições presidenciais, e a sondagem da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN demonstrou de novo que André Ventura, um dos três candidatos mais bem posicionados, perderá com todos os outros caso passe efetivamente à segunda volta. Curiosamente, a maior goleada que potencialmente sofrerá virá de Cotrim Figueiredo (21 contra 67%), logo seguida por António José Seguro (25 contra 66%) e Gouveia e Melo, teoricamente afastado desse cenário, tendo em conta a sondagem diária hoje publicada. Ainda assim, o almirante venceria por 63 contra 24%. Outro facto que resulta claro da sondagem é a queda acentuada de Marques Mendes face a dezembro, em todos os cenários de confronto, mesmo no único de que sai vencedor, precisamente contra Ventura.
Distância Mendes-Gouveia e Melo estreitou-se
O primeiro dos dez cenários da segunda volta colocado pela Pitagórica refere-se ao eventual confronto Gouveia e Melo e Luís Marques. O ex-líder do PSD e antigo comentador televisivo ganharia, mas por muito pouco (44 contra 42%), dando a entender que, na realidade, qualquer um deles poderá sair vencedor. Segundo a sondagem diária hoje publicada, nem um nem outro chegarão a disputar essa fase do escrutínio. Curiosamente, em dezembro último, a distância era relativamente considerável: Gouveia Melo obteria 34% e Mendes 47%. A estratégia de ataque pessoal do militar ao social-democrata surtiu algum efeito? Seja como for, não terá beneficiado globalmente qualquer um deles.
Carregue nos candidatos para ver o resultado
O almirante esmagaria André Ventura numa segunda volta, obtendo uma votação de 63% contra 24% do líder do Chega, um "score" pouco acima do que o seu próprio partido obteve nas últimas legislativas. Neste aspeto, pouco ou nada mudou face a dezembro (62 contra 22%). A alta taxa de rejeição de Ventura verifica-se em todos os cenários, embora Gouveia e Melo tivesse sido em tempos uma hipótese de candidato preferido pelo Chega, algo que não se confirmou quando o líder da extrema-direita avançou ele próprio.
Seguro acima dos 50% com Ventura
António José Seguro bateria com relativa facilidade o almirante numa hipotética segunda volta em que estes dois candidatos estivessem presentes. Seguro chegaria aos 55% e Gouveia Melo não passaria dos 32%. Seguro subiu sete pontos e o militar caiu dois, face a dezembro último. Só em outubro de 2025 é que o Gouveia e Melo conseguiu superar os 40%, sendo que desde aí foi caindo paulatinamente.
A luta já seria um pouco mais renhida se os dois primeiros para disputar a segunda volta fossem Gouveia e Melo (39%) e Cotrim Figueiredo (51%), mas na realidade já estiveram taco a taco em dezembro (40 contra 42%). Ou seja, em qualquer das alturas, o liberal seria eleito presidente, com maior ou menor diferença. Neste cenário, o militar caiu apenas 1 ponto, mas Cotrim subiu 9 no espaço de um mês., o que poderá significar que conseguiu marcar bem as suas diferenças face ao almirante.
Luís Marques Mendes, o candidato oficialmente apoiado pela AD, bateria, sem dúvida André Ventura na segunda volta, se lá vier a chegar, o que não parece provável, tendo em conta a sondagem diária hoje publicada. Ao vencer com 58% contra 27% do seu hipotético adversário, Mendes não deixa de cair 7 pontos e Ventura de subir 6 pontos face aos resultados obtidos em dezembro. As dinâmicas são factualmente inversas, apesar de o resultado final também denotar um fosso considerável entre os dois.
Coincidência de percentagens
António José Seguro conseguiria bater Marques Mendes com o mesmo "score" apontado para o seu confronto com Gouveia e Melo: 55%. Uma simples curiosidade estatística. O social-democrata alcançaria apenas 33%, mais um ponto do que Gouveia e Melo contra o mesmo candidato socialista. Por outro lado, uma vez mais, Mendes tem um recuo de oito pontos face a dezembro. Já Seguro conseguiria, neste cenário específico entre os dois, um crescimento espetacular de 14 pontos comparativamente ao final de 2025.
No confronto com Cotrim, Mendes perderia, obtendo apenas 34%, uma queda de 14 pontos face a dezembro. O liberal, que venceria com 52%, teria um crescimento de 19 pontos, quando esse resultado fosse comparado com dezembro último.
André Ventura conseguiria apenas superar o desempenho do seu próprio partido nas últimas legislativas (22,76%), ao obter 25% numa segunda volta com António José, que chegaria aos 66%, muito acima dos 22,83% alcançados pelo seu partido de origem (o PS), pese embora uma segunda volta nunca seja comparável com a primeira, uma vez que a fixação e fidelidade partidárias, mais importantes antes deste próximo domingo, darão lugar à escolha possível entre dois contendores que só serão confirmados no dia 18. Ou seja, é natural que se Seguro ou outro candidato com apoio oficial de algum partido chegar à segunda volta, estes acabem por superar sempre os desempenhos das suas formações políticas de origem.
Maior "goleada"
Aquele que por lapso, segundo o próprio, disse que apoiaria Ventura na segunda volta se ele próprio não chegasse lá, é o mesmo que infligiria a maior "goleada" ao líder do Chega. Cotrim chegaria aos 67%, deixando Ventura com apenas 21% dos escrutínios. Face a dezembro, não há grande diferença: Ventura cresceu dois pontos e Cotrim cinco pontos.
Um das possíveis segundas voltas mais renhidas (para além de Gouveia e Melo vs. Marques Mendes) seria travada entre Seguro e Cotrim. Ainda assim o socialista bateria (46%) o liberal (44%) no dia 8 de fevereiro. No entanto, dada a estreita margem de diferença, o resultado final nesta hipotética disputa poderia ter o resultado exatamente inverso.
Ficha Técnica
Considerando a aproximação do final da campanha e as acusações divulgadas na segunda-feira dirigidas ao candidato Cotrim de Figueiredo, foi decidida um aumento do número de entrevistas diárias. Assim, a partir de 13 de janeiro (inclusive), o tamanho da amostra diária passou a ser de 350 entrevistas. A amostra de hoje é de 755 entrevistas recolhidas nos seguintes dias e com as seguintes proporções :
• 11 de janeiro: 202 entrevistas;
• 12 de janeiro: 203 entrevistas;
• 13 de janeiro: 350 entrevistas.
Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 755 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±3,64%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI - Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1540 tentativas de contacto, para alcançarmos 755 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,96%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

