Sondagem para a segunda volta: Ventura, o favorito que não será presidente. Seguro e Cotrim empatam entre si e vencem todos os outros
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto
André Ventura é um dos favoritos a passar à segunda volta das presidenciais. Mas também é o único candidato sem qualquer hipótese de chegar à Presidência, a julgar pelos dados da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Quando se pergunta sobre uma dezena de cenários para 8 de fevereiro, o líder do Chega perderia com todos e sem margem para dúvidas: dos 33 pontos de diferença para Luís Marques Mendes, aos 46 pontos de desvantagem para João Cotrim Figueiredo. O liberal é também protagonista da disputa mais equilibrada, se lá chegarmos: empataria rigorosamente nos 46% com António José Seguro.
São dez cenários para uma segunda volta em que se emparelharam os cinco primeiros uns com os outros. E há um único caso em que a incerteza seria total: se a disputa vier a ser entre Seguro (que na intenção de voto para a primeira volta marca 24,2%) e Cotrim (que segue agora com 21,1%), os portugueses estão rigorosamente divididos ao meio, com 46% para cada um (não há distribuição de indecisos).
Carregue nos candidatos para ver o resultado
Seguro e Cotrim com margens confortáveis
Mas não é só nisto que o ex-secretário-geral do PS e o ex-presidente da Iniciativa Liberal estão empatados, partilhando um outro dado positivo: venceriam qualquer dos restantes oponentes que lhes calhasse em sorte e por larga margem. Mas nenhuma vantagem seria tão grande do que no caso do adversário ser o líder do Chega.
Se for Seguro (que segue em primeiro na sondagem diária) a enfrentar Ventura, o socialista (67%) ficaria 41 pontos acima do líder do Chega (26%). Se for Cotrim (que segue em terceiro na sondagem diária), o fosso alarga-se ligeiramente para os 46 pontos percentuais, com o liberal a conseguir os mesmos 67%, mas Ventura a cair para os 21%.
Gouveia e Melo só venceria Mendes e Ventura
Tomando por bons os resultados da sondagem diária, Henrique Gouveia e Melo está, nesta altura, fora da corrida por um lugar na segunda volta. Mas, se conseguir conquistar um lugar no próximo domingo, só venceria se o seu opositor fosse Mendes (a vantagem é de apenas três pontos, o que aponta para um empate técnico) ou Ventura (vantagem de 37 pontos). Se fossem Seguro ou Cotrim, seria derrotado, por uma margem de 21 a 15 pontos (respetivamente, do socialista e do liberal).
Marques Mendes é, dos cinco favoritos, o que tem menores probabilidades de chegar a uma segunda volta. Mas, a acontecer, as projeções também são sombrias, refletindo o mau momento do social-democrata. Venceria, como qualquer um, André Ventura (com uma vantagem de 33 pontos), mas perderia todos os outros três duelos, em particular com Seguro (desvantagem de 23 pontos) e Cotrim (desvantagem de 20 pontos).
Ficha Técnica
Considerando a aproximação do final da campanha e as acusações divulgadas na segunda-feira dirigidas ao candidato Cotrim de Figueiredo, foi decidido um aumento do número de entrevistas diárias. Assim, a partir de 13 de janeiro (inclusive), o tamanho da amostra diária passou a ser de 350 entrevistas. A amostra de hoje é de 903 entrevistas recolhidas nos seguintes dias e com as seguintes proporções: 12 de janeiro, 203 entrevistas; 13 de janeiro, 350 entrevistas; 14 de janeiro, 350 entrevistas. Foram tidos como critérios amostrais o gGénero, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 903 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 3,3%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de telemóvel, mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1848 tentativas de contacto, para alcançarmos 903 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,86%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), que os disponibilizará para consulta online.

