Última sondagem diária: Está mesmo tudo decidido nas presidenciais?
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto
A décima segunda e última entrega da sondagem diária da Pitagórica para a o JN, TSF, TVI e CNN, aponta para um empate a três, com António José Seguro (25,1%) ligeiramente destacado de André Ventura (23%) e João Cotrim Figueiredo (22,3%), que terminam este barómetro separados por escassas sete décimas. O trio da frente confirma a tendência de crescimento dos últimos dias e aprofunda o fosso para a dupla Henrique Gouveia e Melo (11,6%) e Luís Marques Mendes (11,5%), que continuam em queda e agora separados por uma única décima. A posição relativa dos favoritos na intenção de voto coincide, pela primeira vez, com o indicador de "dinâmica de vitória": o favorito a passar à segunda volta é o socialista (29%), seguindo-se o líder do Chega (25%) e o liberal (13%).
Note-se que o número de indecisos reduziu-se para os 9,6%, o valor mais baixo da série, e que a margem de erro se estreita para mais ou menos 2,89%, uma vez que a amostra soma agora 1200 inquéritos. Todos foram recolhidos após vir a público a denúncia de assédio sexual contra Cotrim Figueiredo, o que poderia significar, tendo em conta os seus resultados nos últimos dias, que não teve impacto negativo nas intenções de voto. Mas também é verdade que só os últimos 500 inquéritos foram conduzidos ao longo do dia de quinta-feira, quando o tema voltou em força à campanha. Resumindo, esta é a sondagem final, mas, como sempre, não é a palavra final. Essa pertence aos que forem votar no domingo.
Seguro é o candidato que mais cresce em duas semanas
Quando comparamos os resultados de um dia para o outro, o que se destaca é a subida de cerca de um ponto de Seguro e Cotrim, com Ventura praticamente igual. Ao contrário, Mendes, e em particular Gouveia e Melo, aprofundam a rota descendente (menos um e dois pontos, respetivamente). Mas é mais relevante fazer as contas finais e comparar os pontos de partida (5 de janeiro) e de chegada (esta sexta-feira) desta sondagem diária.
Seguro, que segue isolado no primeiro lugar (ainda que em empate técnico com os outros dois), foi o que mais amealhou ao longo destas duas semanas, crescendo quase seis pontos percentuais. Ventura e Cotrim, que estão um degrau abaixo na escadaria de acesso a Belém, somaram um pouco mais de quatro pontos desde o início da caminhada. Todos eles o fizeram à custa de Marques Mendes, que perdeu quatro pontos, e de Henrique Gouveia e Melo, com uma quebra de quase oito pontos.
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De cinco para três pretendentes ao "trono" presidencial
Resumindo, e como se escreveu em análises anteriores, estamos perante uma corrida à Presidência da República anormalmente competitiva, mas que, há duas semanas, tinha cinco pretendentes ao "trono", e quando faltam 48 horas para se conhecerem as primeiras projeções pós-eleitorais, se reduziu a três. A diferença entre os dois primeiros era de uma décima no arranque e alargou para 2,1 pontos nesta última entrega; mas entre primeiro e quinto, começou nos 3,9 pontos e está agora nos 13,6 pontos.
No que isto se traduz é que o ex-secretário-geral socialista, que começou e termina esta "tracking poll" na liderança, vale agora mais do dobro do que o almirante na reserva ou o ex-líder social-democrata. E, finalmente, vale quase cinco vezes mais que a soma dos três candidatos mais à Esquerda, com o comunista António Filipe nos 2,4%, a bloquista Catarina Martins nos 2,2% e o deputado do Livre Jorge Pinto nos 1,2%. Manuel João Vieira fica abaixo de um ponto percentual (0.6%).
Homens com Ventura, mulheres com Seguro, jovens com Cotrim
Numa última análise aos segmentos da amostra (género, idade, classe social, geografia e voto partidário), também se fica com o derradeiro instantâneo das forças e fraquezas dos três favoritos desta primeira volta das presidenciais. Ventura termina na liderança entre os homens (23,3%) e Seguro fica à frente entre as mulheres (24,5%). No entanto, na comparação entre o arranque e o final da sondagem diária, percebe-se que a evolução do líder do Chega correu em paralelo nos dois géneros, enquanto o crescimento do socialista decorre sobretudo do eleitorado feminino (mais oito pontos) e o do liberal se fica a dever aos homens (mais sete pontos).
No que diz respeito às três faixas etárias em que se dividiu a amostra, a tendência confirma-se, com Cotrim esmagador nos 18/34 anos (34,9%), Ventura a vencer nos 35/54 anos (24,5%) e Seguro a dominar nos 55 anos em diante (25,1%). Olhando para a evolução destes segmentos no barómetro, há outros dados a reter. O socialista cresceu mais no escalão intermédio (mais nove pontos), enquanto o líder do Chega e o liberal foram recolhendo cada vez mais apoios entre os mais jovens (mais nove pontos).
Socialista lidera no Centro e no Norte, liberal destaca-se em Lisboa
Também nas três classes sociais verificam-se tendências mantidas quase do princípio ao fim: desde logo, a vantagem de Cotrim entre os que têm melhores rendimentos (29,7%), apesar de ter sido também neste segmento que mais cresceu ao longo do barómetro (mais sete pontos). Da mesma forma, a liderança de Ventura entre os mais pobres se transformou num "clássico" (26,2%), somando mais sete pontos nestas duas semanas. Seguro termina na liderança (empatado com o líder do Chega) da classe média (23,5%), é o único dos favoritos verdadeiramente transversal, mas foi nas duas classes de melhores rendimentos que mais cresceu (cerca de sete pontos em ambos os casos).
Finalmente, e no que diz respeito à geografia, o socialista termina a sondagem diária na liderança do Centro (25%) e do Norte (23,1%), embora tenha sido em Lisboa que mais cresceu (quase oito pontos). O liberal lidera na região em redor da capital (23,9%), mas foi no Norte que mais evoluiu ao longo do estudo (quase sete pontos). O líder do Chega vence no resto do país (22,5%), ou seja, a sul, mas foi em Lisboa e no Norte que atraiu mais eleitores nestas duas semanas (cerca de seis pontos).
Cotrim conquista quase tantos eleitores da AD como Mendes
No que diz respeito ao voto partidário, a dispersão dos eleitores da AD é a nota que marca toda a sondagem diária. Marques Mendes continua a ser o preferido, mas já ficaria com menos de três em cada dez eleitores de Montenegro (27,6%) e num patamar muito semelhante ao de Cotrim Figueiredo (24,4%). Mas até Seguro e Gouveia e Melo (14,7% para ambos) conseguem a sua quota-parte.
A sondagem termina, por outro lado, com Seguro a conseguir um pouco mais de metade dos eleitores do PS (54,2%), com a única sombra relevante a ser o almirante na reserva (15%). No caso do Chega, Ventura quase faz o pleno (82,1%), com o liberal Cotrim a convencer exatamente um em cada dez eleitores das legislativas de maio do ano passado.
Ventura sem hipóteses de chegar a Belém na segunda volta
Com três favoritos a destacarem-se nesta primeira volta, o que esperar deles se estiverem numa segunda volta? A leitura mais imediata, quando analisamos os resultados dos três cenários possíveis com Seguro, Ventura e Cotrim, é a de que há um candidato que parte praticamente derrotado: o líder do Chega ficaria a 39 pontos percentuais do socialista e a 43 pontos do liberal.
Se o duelo for entre António José Seguro e João Cotrim Figueiredo, o cenário fica bastante mais equilibrado, embora, nesta ponta final, com ligeiro ascendente do socialista (47%) sobre o liberal (44%). Na verdade, um empate técnico e sem distribuição de indecisos.
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Ficha Técnica
Considerando a aproximação do final da campanha e as acusações divulgadas na segunda-feira dirigidas ao candidato Cotrim de Figueiredo, foi decidido um aumento do número de entrevistas diárias. Assim, a partir de 13 de janeiro (inclusive), o tamanho da amostra diária passou a ser de 350 entrevistas e no último dia de campo de 500 entrevistas. A amostra de hoje é de 1200 entrevistas recolhidas nos seguintes dias e com as seguintes proporções: 13 de janeiro, 350 entrevistas; 14 de janeiro, 350 entrevistas; 15 de janeiro, 500 entrevistas. Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 1200 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 2,89%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de telemóvel, mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 2459 tentativas de contacto, para alcançarmos 1200 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,8%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), que os disponibilizará para consulta online.

