
Sobrevivência de cancro de mama e de próstata aos cinco anos, com valores superiores a 90% a 96%
Foto: Pedro Correia/Arquivo
O número de doentes operados por doença oncológica aumentou 67% em cinco anos, mas um em cada quatro ainda foram operados acima do tempo máximo de resposta em 2024, indicam dados da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Entre 2020 e 2024 o aumento de doentes oncológicos operados equivale a mais 31.178 cirurgias, sendo que, entre 2023 e 2024 - ano do programa de redução de listas de espera para cirurgia oncológica OncoStop -, o aumento foi de quase dez mil doentes operados (9441).
Relativamente ao número de doentes oncológicos operados acima do Tempo Máximo de Resposta Garantida (TMRG), em 2024, foram mais de 20 mil (25,4%).
Nos dados divulgados esta quarta-feira, quando se assinala o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, a DGS refere que o número de doentes tratados com quimioterapia e imunoterapia tem vindo a aumentar gradual e lentamente nos últimos anos, sendo quase na totalidade em regime de ambulatório. Em 2024 foram tratados mais de 400 mil doentes, um número que reflete um aumento de 10% dos doentes que receberam radioterapia e quimioterapia/inunoterapia.
Houve também um aumento do número de doentes com acesso a tratamentos inovadores, nomeadamente com terapias com células CAR-T.
Mortalidade a descer
Os dados da DGS indicam uma redução - entre 2019 e 2023 - do risco de morte por tumores malignos abaixo dos 75 anos, uma variação que as autoridades veem como consequência de uma melhoria na prevenção, associada a melhorias nos programas de rastreio do cancro, com diagnósticos mais precoces e progressos na efetividade dos tratamentos.
Em declarações à Lusa, a diretora do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Isabel Fernandes, sublinhou como positiva a sobrevivência de cancro de mama e de próstata aos cinco anos, com valores superiores a 90% a 96%, respetivamente.
"Temos uma taxa de mortalidade padronizada para tumores malignos que continua a descer. Eu percebo que há um aumento do número de óbitos, mas a taxa padronizada continua a descer, o que é bom", disse a responsável, sublinhando igualmente a redução da taxa de mortalidade do cancro do cólon e reto e do estômago.
"Aqui, na minha perspetiva, deve-se ao acesso à medicação, porque nós tivemos mais de 10% de acesso à rádio e a tratamento de quimio e imunoterapia. E o estômago, com a imunoterapia, teve aqui provavelmente um aumento uma diminuição da taxa de mortalidade", acrescentou.
Entre os aspetos positivos, salientou ainda "a incidência mais baixa de cancro de mama a nível europeu", lembrando: "Nada disto seria possível se não houvesse um sistema que o permitisse".
Acima da média
Relativamente à sobrevivência a cinco anos após o diagnóstico de doença oncológica, Portugal apresenta resultados acima da média europeia, com cerca de 240 óbitos por 100 mil habitantes, face a aproximadamente 250 óbitos por 100 mil habitantes na União Europeia.
Os dados mostram ainda que a sobrevivência para todos os cancros nos homens é significativamente inferior à das mulheres.
Em Portugal, as doenças oncológicas são uma das principais causas de anos potenciais de vida perdidos, sobretudo as neoplasias malignas da traqueia, brônquios e pulmão e digestivas.
Segundo os dados da DGS, as principais doenças oncológicas são responsáveis por 47.381 anos potenciais de vida perdidos, o que equivale a quase o dobro do total do conjunto das doenças cerebrovasculares e doenças isquémicas do coração (28.357).
