"Um marco histórico": Costa, Ursula e Metsola assinalam 40 anos da entrada de Portugal na CEE

António Costa ao lado de Ursula von der Leyen e Roberta Metsola
Foto: Olivier Hoslet/EPA/Arquivo
A 1 de janeiro de 1986 foi concretizada a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), que provocou mudanças estruturais significativas para o país.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, destaca que a adesão há 40 anos de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), agora União Europeia (UE), foi um "marco histórico no desenvolvimento do país".
"A adesão de Portugal à então CEE foi um marco histórico no desenvolvimento do país, transformando-o para melhor, segundo todos os indicadores económicos e sociais", afirmou o líder da instituição europeia que junta os chefes de Governo e de Estado da UE.
Numa declaração enviada à Lusa, o antigo primeiro-ministro português vincou que "o alargamento a Portugal - e a Espanha - foi também um marco na consolidação democrática da Europa".
"É este sucesso irmanado que hoje nos volta a convocar para um desígnio comum. Precisamos dessa unidade e dessa força para garantirmos a paz, a segurança e a prosperidade na Europa", pediu António Costa, na mesma declaração.
Depois de quase uma década como primeiro-ministro português, a 1 de dezembro de 2024, António Costa começou o mandato de dois anos e meio à frente do Conselho Europeu, sendo o primeiro socialista e o primeiro português neste cargo.
"Marco na unidade europeia" e inovação em Portugal
A presidente da Comissão Europeia salienta que a adesão de Portugal à CEE foi um "marco na unidade europeia".
"Há 40 anos, assinalámos um marco na unidade europeia: Portugal e Espanha tomaram o devido lugar no coração da Europa. Este momento tornou a nossa União melhor - cultural, política e economicamente. Juntos, superámos muitos desafios, partilhámos sucessos e tornámo-nos mais resilientes e podemos estar verdadeiramente orgulhosos deste feito, que só foi possível através do trabalho conjunto", afirma Ursula von der Leyen numa declaração enviada à Lusa.
"A cultura rica e diversificada, do fado à arquitetura, a hospitalidade e o espírito de inovação de Portugal enriqueceram a nossa União. Portugal foi pioneiro em 'start-ups' e inovação. Os seus estudantes Erasmus levaram Portugal à Europa, assim como o levaram profissionais de formações diversas", enumerou.
Referindo-se a infraestruturas suportadas por verbas europeias, Ursula von der Leyen fala na construção de "novas escolas, hospitais e autoestradas, bem como a Ponte Vasco da Gama, a mais longa da Europa".
"A Europa é muito mais do que uma região - é uma ideia comum. A ideia de liberdade, paz e força mútua. A adesão de Portugal mostra que, unidos, somos mais fortes", adiantou.
Ursula von der Leyen é presidente da Comissão Europeia desde 1 de dezembro de 2019, quando iniciou o primeiro mandato, sendo a primeira mulher a ocupar este cargo.
"Vemos muito de Portugal na Europa"
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, assinalou a escolha de Portugal pela "estabilidade democrática e desenvolvimento económico" quando o país aderiu há 40 anos à CEE.
"Há 40 anos, Portugal escolheu a Europa pela sua estabilidade democrática e desenvolvimento económico. Hoje, vemos muito da Europa em Portugal, mas sobretudo, vemos muito de Portugal na Europa", afirmou Roberta Metsola.
Numa declaração enviada à Lusa, a responsável apontou que, "desde a sua adesão à UE, Portugal tem contribuído com o seu perfil diplomático único como fazedor de pontes, um parceiro estável e de confiança", sendo "um país amigo que a União quer sempre ter a bordo".
"Desde 1986, tanto a UE como Portugal mudaram profundamente para melhor. Os contributos de Portugal tornaram a UE mais forte, mais segura e mais próspera - e vice-versa", acrescentou Metsola.
A líder da assembleia europeia observou ainda a "determinação e empenho [de Portugal] no projeto europeu", que considerou que se vão manter "nas próximas décadas".
Roberta Metsola é presidente do Parlamento Europeu desde janeiro de 2022, quando foi eleita pelos eurodeputados após a morte do então líder da instituição David Sassoli. Em julho de 2024, foi reeleita para continuar à frente do PE até 2027.
Mais de cem mil milhões de euros em fundos europeus
Desde a adesão, há 40 anos, Portugal já recebeu mais de 100 mil milhões de euros em fundos europeus, aplicados sobretudo em infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, saneamento básico, educação e modernização administrativa.
Em termos económicos, de acordo com os gabinetes estatísticos europeu e nacional, entre 1986 e a atualidade o produto interno bruto (PIB) "per capita" português em paridades de poder de compra passou de cerca de 50-55% da média da então CEE para valores próximos de 75% da média da agora UE, apesar de recuos na crise financeira.
A integração europeia incluiu ainda a entrada no espaço de livre circulação Schengen, a adoção do euro (em 1999, oficializada em 2002) e o acesso ao mercado único, que impulsionou exportações e investimento estrangeiro. Em concreto, as exportações passaram de cerca de 15% do PIB nos anos de 1980 para mais de 45% do PIB, com forte diversificação de mercados.
Ao mesmo tempo, aumentaram os níveis de escolaridade, a esperança média de vida e a cobertura de serviços públicos essenciais, consolidando ganhos económicos e sociais, embora persistam desafios em termos de produtividade e de rendimentos.
Num Eurobarómetro divulgado em meados de dezembro deste ano, 69% dos portugueses inquiridos afirmaram ter uma imagem positiva da UE, o valor mais alto entre os 27 países-membros, e 71% disseram confiar nas instituições europeias, também acima da média comunitária.
Também nesse estudo de opinião, Portugal constava entre os países com maior percentagem de cidadãos que consideram que o país beneficiou da adesão à UE.
