
Redução da oferta no SNS levou utentes a recorrerem ao setor privado, concluiu estudo
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A cobertura por médico de família no Serviço Nacional de Saúde (SNS) caiu 12 pontos percentuais nos últimos sete anos em todo o território nacional. Em 2019, a abrangência era de 91%, enquanto no final do ano passado não passava dos 79%.
A conclusão vem expressa no relatório "Acessos aos Cuidados de Saúde 2025", elaborado pela Cátedra em Economia da Saúde, enquadrada na Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação "la Caixa", o BPI e a Nova SBE. "A escassez de médicos de família afeta de forma mais pronunciada os indivíduos pertencentes a escalões socioeconómicos mais desfavorecidos, bem como os residentes no Algarve, na Grande Lisboa e no Centro Litoral", refere o documento.
A diminuição de acesso público levou a que a alternativa tenha passado por um "maior recurso a soluções no setor privado", com 14,79% dos utentes a optarem por este recurso durante o ano passado. "Perante um episódio de doença, os indivíduos com médico de família no privado apresentam uma maior probabilidade de recorrer exclusivamente a esse setor, influenciando de forma estrutural os padrões de acesso e utilização dos cuidados de saúde", diz a Nova SBE. Em termos concretos, o recurso exclusivo a clínicos do SNS diminuiu de 88% para 82% entre 2023 e 2025.
Barreiras de acesso
De forma geral, "as barreiras no acesso a cuidados de saúde em Portugal continuam a situar-se acima dos níveis pré-pandémicos". A Nova SBE nota que tal tem um "impacto particularmente acentuado nas populações socioeconomicamente mais vulneráveis".
Outro dado destaca os doentes que, em 2025, não recorreram a ajuda profissional (14,26%) e que acabaram por automedicar-se. Um inquérito realizado a cerca de 1600 pessoas revelou que 51,85% optaram por este processo. A faixa etária entre os 25 e os 34 anos foi a que mais o fez (66,26%), sendo os indivíduos acima dos 85 anos os que mais garantiram nunca o ter feito (39,62%).

