
Debate na SIC juntou Cotrim de Figueiredo e André Ventura
Foto: Nuno Fox/Divulgação SIC
Num confronto polémico, marcado por acusações políticas e pessoais, os candidatos presidenciais Cotrim Figueiredo e André Ventura divergiram, esta sexta-feira, no rumo que deverá seguir a lei da nacionalidade, após o chumbo do Tribunal Constitucional (TC) e o veto de Belém. O primeiro avisou que manter um "braço de ferro", insistindo numa alteração ao Código Penal, significa adiar a nova legislação, e o líder do Chega garantiu que não vai abdicar de que seja expulso quem cometa crimes em Portugal.
"Não insistiria na alteração do Código Penal. Nesta altura, um braço de ferro com o TC é adiar a entrada em funcionamento desta lei", alertou Cotrim, no debate da SIC. E defendeu que, em vez de continuar "uma birra", se corrija a lei para que possa ser aprovada rapidamente.
"Não vou abdicar de que quem cometa crimes em Portugal seja expulso", respondeu Ventura, recusando fazer "taticismo político com convicções". Então "vamos ter os princípios respeitados e não vamos ter lei da nacionalidade", retorquiu o eurodeputado e antigo líder da IL. "Durante quanto tempo vamos estar neste braço de ferro com o TC? Sejam sensatos", rematou Cotrim.
Reforma e elite
Após a imigração ter dominado grande parte do debate, Ventura acusou o adversário de ter deixado a liderança da IL "para ter uma reforma dourada em Bruxelas". Acusou-o também de prejudicar os agricultores ao defender o acordo da UE com o Mercosul e de querer "mandar os jovens para a guerra da Ucrânia".
"Tenho uma reforma dourada tão boa que me candidato a presidente", reagiu Cotrim. Esclareceu ainda que "40 mil postos de trabalho em Portugal dependem de exportação para mercados do Mercosul". E cumprir as obrigações com a Nato, enquanto membros fundadores, "não é ir buscar jovens à rua".
"O João é o candidato do Príncipe Real, eu sou o candidato do país real", disse Ventura, acusando-o de ter votado contra o aumento de pensões. "Sou tanto das elites que não fui eu que passei de ser inspetor tributário para dar conselhos aos milionários sobre como fugir aos impostos", respondeu Cotrim, dizendo preocupar-se com as pensões "daqui a 20 anos".
Após uma troca de acusações envolvendo José Sócrates, com Ventura a garantir que "nunca" votou no ex-líder socialista, Cotrim acabou por trazer ao debate casos de pedofilia envolvendo membros do Chega, com Ventura a responder que defende a castração dos pedófilos.

