
Líder do Chega acusou PS e PSD de pretenderem "amordaçar o Ministério Público para os políticos terem impunidade"
Igor Martins/Global Imagens
André Ventura aproveitou o apoio de lesados do BES, numa arruada no Porto, para radicalizar o discurso contra a corrupção e acusar PS e PSD de procurarem “amordaçar o Ministério Público para os políticos terem impunidade”. “Vamos dar voz à Justiça para que não sobre um corrupto em liberdade”, garantiu o líder do Chega.
Numa arruada "relâmpago" na rua de Santa Catarina, Ventura foi esperado por dezenas de apoiantes, debaixo de chuva intensa, como quem espera por uma "noiva" atrasada para o casamento e sob o lema de "campanha molhada é campanha abençoada".
Durante um percurso de cerca de 15 minutos, entre o cruzamento da rua Fernandes Tomás e a Praça da Batalha, poucos conseguiram "furar" o muro de jornalistas e seguranças para chegarem a Ventura. Entre os que conseguiram, estavam Jorge Nova e Paulo António, que se apresentaram como membros de uma Associação de Papel Comercial e lesados do BES. "Temos andado a reunir com os grupos parlamentares mas é o Chega que tem revelado mais interesse e curiosidade", justificaram, momentos após terem garantido que iriam votar no Chega e embora tenham assegurado que irão participar na campanha de todos os partidos.
"Roubaram-nos há dez anos e as soluções que foram criaram serviram apenas os interesses de alguns", consideram Jorge Nova e Paulo António, sem especificar que medidas pretendem dos partidos.
A presença de lesados do BES serviu de mote para o discurso, momentos depois, de André Ventura contra os banqueiros que vivem em "palacetes", enquanto "deixam o país à ruina".
"Por isso é que PS e PSD não querem que o Chega governe e atacam-nos com tudo o que têm. Mas não nos deixamos abalar nem intimidar", garantiu, avisando que, depois de 10 de março o Chega "vai fazer a limpeza que o país precisa". "Não teremos um país de banqueiros, subsidiodependentes ou corruptos", assegurou, acrescentando: "Vamos dar voz à Justiça para que não sobre um corrupto em liberdade".
É que, segundo Ventura, o "bloco central" não tem interesse em reformas na Justiça. "Querem amordaçar o Ministério Público para que os políticos continuem impunes", acusou, dirigindo-se ao candidato socialista pedro Nuno Santos e ao ex-líder do PSD, Rui Rio. "Quando a Justiça lhes bateu à porta, decidira que não queriam Justiça", justificou.
