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Assembleia do Livre propõe retirada de confiança política a Joacine

Assembleia do Livre propõe retirada de confiança política a Joacine

A Assembleia do Livre - órgão máximo entre congressos -quer retirar a confiança política a Joacine Katar Moreira. No congresso do próximo fim de semana em Lisboa, esta decisão, a ser aprovada, fará com que o Livre deixe de ter representação parlamentar e Joacine poderá ficar como deputada independente. "Não podemos manter a confiança política em quem, por opção própria, reiteradamente prescindiu de representar o partido", lê-se na proposta.

O texto argumenta que a eleição para a Assembleia da República representa "uma responsabilidade que transcende a deputada eleita". Uma vez que "não se vislumbra, da parte da deputada Joacine Katar Moreira, qualquer vontade em entender a gravidade da sua postura, nem intenção de a alterar, a Assembleia do Livre delibera retirar a confiança política à deputada, pelo que deixa de reconhecer o exercício do seu mandato como sendo exercido em representação do Livre"

O JN apurou, junto de fontes desta força partidária, que será o congresso a ter a última palavra. Se a decisão for de não retirar a confiança política, a relação entre o partido e a deputada não sofrerá qualquer alteração. Tal sucede porque, dada a proximidade do congresso, a Assembleia - composta por cerca de 40 elementos - coloca a decisão à votação desse órgão, pelo que esta ainda não é uma decisão consumada, explicou uma dessas fontes.

Discussão do Orçamento consuma rutura

A deliberação da Assembleia do Livre acusa Joacine de ter "descurado, reiteradamente, a comunicação e envolvimento dos órgãos do partido no trabalho parlamentar" e de ter demonstrado "desinteresse" na preparação de propostas para o Orçamento do Estado. Além disso, é dito que a deputada "não comunica pessoalmente" com o Grupo de Contacto (direção) do Livre, mas sim unicamente através do seu gabinete, e que o motivo para esse comportamento nunca foi explicado.

A Assembleia do partido acrescenta que "a deputada desrespeitou o compromisso institucional, assumido previamente pelo Grupo do Contacto, em relação à composição da comitiva que representaria o partido numa reunião de alto nível e não se mostrou disponível para a preparação desta reunião". Das vezes em que foi convocada pela Assembleia, "impôs limites de tempo à sua presença".

Conflito em crescendo

No final de novembro, uma abstenção de Joacine numa votação proposta pelo PCP (que condenava um ataque israelita a Gaza) fez com que o partido dissesse publicamente que a deputada deveria ter votado o documento de forma favorável. A partir daí, a relação Joacine/direção do Livre deteriorou-se.

Em novembro, a retirada da confiança política chegou a ser debatida pela Assembleia do partido - que, apesar de reconhecer "dificuldades de comunicação" entre as partes, anunciou que estas continuavam a "trabalhar em conjunto". A deputada chegou a dizer que estava a ser vítima de "um golpe" por parte da direção do Livre.

No último sábado, soube-se que Joacine não integra a lista única da nova direção e, na segunda-feira, foi noticiado que uma das 18 moções levadas a Congresso pede que o partido retire a confiança política à deputada. Agora, é a própria Assembleia a requerê-lo.