Cancro pediátrico

Associação Acreditar lança petição para aumentar tempo de luto parental

Associação Acreditar lança petição para aumentar tempo de luto parental

São inúmeros os relatos sobre o luto da perda de um filho, desde a falta de estabilidade emocional à dificuldade em reorganizar a vida. A legislação dita cinco dias consecutivos para o luto dos pais que perderam um filho. Com o apoio de petição pública a Acreditar pretende aumentar o período para 20 dias.

Filipa Silveira e Castro, membro da direção e voluntária da Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, já passou pelo luto da perda de um filho: "cinco dias após a morte de um filho e voltar a trabalhar é algo extremamente difícil. Os pais não têm capacidade de concentração, precisam de tempo para se organizarem, é uma altura de cansaço extremo e há muita burocracia a tratar". A associação garante que os cinco dias definidos pelo Estado para o luto "correspondem praticamente ao período necessário para o tratamento de formalidades atinentes à morte de um ser-humano".

"Nunca será tempo suficiente para os pais se recomporem", contudo, os 20 dias permitem uma organização "com alguma calma para puderem avançar sem ser aos tropeções", partilha Filipa Silveira e Castro. Relembra que na altura não considerava estar com capacidades para fazer um trabalho responsável. A proposta para o alargamento do período do luto dos pais foi definida com a ajuda de profissionais e com a experiência junto dos pais. A petição pública já tem mais de duas mil assinaturas.

A campanha surge para assinalar o mês internacional de sensibilização para o cancro pediátrico. Além da petição pública existe um vídeo sob o mote "O luto de uma vida não cabe em 5 dias", alertando para a o "duplo abandono" dos pais em luto, por parte da sociedade e do Estado.

Em 2020, a Acreditar ajudou 1520 famílias, oferecendo apoio emocional, logístico, financeiro e escolar. O acompanhamento é sempre realizado de forma personalizada, pois "todas as famílias são diferentes, cada uma com as suas especificidades e características", explica Filipa Silveira e Castro.

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