O Jogo ao Vivo

Viseu

Presidente de associação mandou vacinar direção da instituição

Presidente de associação mandou vacinar direção da instituição

O presidente da Associação de Solidariedade Social de Farminhão, em Viseu, assume que elementos da direção foram vacinados contra a covid-19, no passado dia 18 de janeiro, usando as vacinas que sobraram após a inoculação dos utentes. Segundo apurou o JN, entre os elementos vacinados estão a filha e a mulher do presidente.

"Fui eu que tomei a decisão de sermos todos vacinados e assumo toda a responsabilidade", afirmou ao JN o presidente, Duarte Coelho. Com 74 anos, afirmou ao JN que é um caso de risco, hipertenso e diabético, e que a sua atividade acarreta riscos. "Eu vou à instituição e trabalho no meu gabinete, mas contacto com a diretora técnica, com a nutricionista e a psicóloga e todos contactam com os utentes.

O dirigente alega ter receio de infetar estas profissionais, que, por sua vez, podem infetar os utentes. "Salvaguardar-me e salvaguardar os utentes não pode ser crime", afirmou, esperando, em breve, receber a segunda dose da vacina.

O presidente da Associação de Solidariedade Social de Farminhão, que mandou vacinar os elementos da direção, realçou ao JN que alguns contactam com utentes, nomeadamente um que é responsável pela cozinha."Se fosse hoje, tomaria a mesma decisão", afirmou, lamentando que a secção regional da Ordem dos Enfermeiros não o tenha contactado para esclarecer o que o levou a mandar vacinar toda a direção.

Num primeiro contacto, Duarte Coelho não referiu ao JN quem seriam os elementos da direção vacinados, mas, segundo foi possível apurar mais tarde, a filha e a mulher são dois dos elementos que o presidente da direção da Associação de Solidariedade Social de Farminhão mandou vacinar.

Segundo a denúncia, que chegou por carta anónima à Ordem dos Enfermeiros, e a que o JN teve acesso, foram vacinados indevidamente sete elementos: o presidente da direção (Duarte Coelho), a filha, que é vice-presidente (Ana Austo), a mulher, Ercília Coelho, apontada como vogal e responsável pela cozinha, o tesoureiro (Fernando Matos) o vogal (José Silva), a diretora executiva (Sílvia Leitão) e o presidente da Assembleia Geral (José António).

PUB

Contactado novamente pelo JN e confrontado com listagem das pessoas que terão sido indevidamente vacinadas, Duarte Coelho reformulou e disse que ele, presidente da direção, o tesoureiro e o vogal estavam na lista para serem vacinados. "Quem usou as vacinas sobrantes foram a vice-presidente [filha], o presidente da Assembleia Geral, a minha mulher , que não é vogal mas é voluntária e está responsável pela cozinha, e a diretora executiva", afirmou.

Segundo explicou, a filha tem estado em contacto com os doentes e a mulher é responsável pela cozinha, contactando também com os utentes.

"Todos os elementos da direção estão vacinados, menos a secretária, que não contacta com os utentes", acrescentou Duarte Coelho.

A secção regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros " lamenta e condena, veementemente, a situação relatada (e outras que possam vir a ser conhecidas)" , lê-se no comunicado

Dirigentes da Associação de Passos de Silgueiros vacinados

Quatro elementos da direção da ASSOPS- Associação de Passos de Silgueiros, Viseu, também já tomaram a primeira dose da vacina contra a covid-19, apesar de não fazerem parte do grupo prioritário.

Marcelo Lopes, presidente da direção, empossado em janeiro deste ano, assumiu ao JN que ele, o tesoureiro, o secretário e o vogal tomaram a primeira dose da vacina.

O vice-presidente, que também é motorista na APPACDM Viseu, faz parte do grupo prioritário, já estava vacinado através desta instituição.

"Não tive qualquer intenção em passar à frente de ninguém", afirmou o líder associativo.

"Quando foi para tomar a vacina, um dos elementos da direção questionou se íamos ser vacinados. Perguntei à diretora técnica, que foi questionar um superior hierárquico, que disse para sermos vacinados", justificou o dirigente, sem especificar quem autorizou.

A direção da associação foi incluída na lista de pessoas a vacinar, o que aconteceu há cerca de duas semanas. Além dos quatro dirigentes foram vacinados vinte utentes do lar e seis funcionárias.

"Foi inocente. Na altura, não achei nada fora do contexto a direção da associação ser vacinada, mas hoje dizem que é ilegal e já tenho outro entendimento", afirmou.

Apesar do grupo prioritário a ser vacinado já estar definido em janeiro, o dirigente acrescentou que " foi informação que não lhe chegou devidamente, nem tinha a noção", argumentou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG