Manifestação

Ativistas surpreendem PSP e vão em busca de ministro durante a marcha pelo clima

Ativistas surpreendem PSP e vão em busca de ministro durante a marcha pelo clima

Jovens invadiram Ordem dos Contabilistas, em Lisboa. Na véspera, PSP tinha desocupado a Faculdade de Letras e detido quatro alunos.

Emma, 18 anos e estudante universitária, nem tinha pensado ir à marcha pelo clima que, este sábado à tarde, percorreu o centro de Lisboa. Mas tudo mudou quando se apercebeu de que, na noite anterior, quatro alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) tinham sido detidos pela PSP por desobediência por se terem recusado a abandonar a instituição. Foram libertados e notificados para comparecer, segunda-feira, em tribunal.

Ao fim de uma semana de ocupações de escolas e faculdades de Lisboa contra os combustíveis fósseis e pela demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, mais de 500 pessoas, na sua maioria jovens, desfilaram entre o Campo Pequeno e o Liceu Camões, com uma paragem na Ordem dos Contabilistas que surpreendeu até a Polícia.

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Pelas 15 horas, vários ativistas invadiram aquele organismo, onde Costa Silva estaria presente. Acabaram por ser retirados à força pela PSP, que não esclareceu em tempo útil se alguém foi detido ou identificado.

O protesto prosseguiu então, sem mais incidentes. "Pelo fim ao fóssil, ocupar";"mudem o sistema, não o clima", "gás é andar para trás" e "fora, Costa Silva" foram algumas das palavras de ordem gritadas em uníssono ao longo do percurso.

Protestos não vão parar

O ministro da Economia e do Mar foi um dos mais assobiados, mas não o único. O outro alvo foi a direção da FLUL, que, na sexta-feira à noite, chamou a PSP para desocupar a faculdade.

"Acham que a nossa perturbação da normalidade é pior do que toda a perturbação que as alterações climática nos vão trazer", lamentou, num discurso durante uma paragem da marcha, Ana, pertencente ao grupo que, entre segunda e sexta-feira, se barricou na FLUL.

Um dos momentos altos da manifestação foi, de resto, quando os centenas de ativistas chegaram ao Liceu Camões, onde eram esperados por uma dezenas de alunos que nem no fim de semana saíram da escola.

Júlia, 18 anos, é um deles e não esconde que tem sido "uma aprendizagem" estar "24 sobre 24 horas" com as mesmas pessoas. Até segunda-feira, nunca tinha ocupado qualquer lugar. Agora sentiu, contudo, que já tinha sido feito "tudo o que é possível" para chamar a atenção para o problema.

"Vou continuar aqui até quando psicológica e fisicamente conseguir", frisa, ao JN, visivelmente cansada.

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