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Autarca do Seixal: Governo escolheu Montijo "sem ouvir ninguém"

Autarca do Seixal: Governo escolheu Montijo "sem ouvir ninguém"

O presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, está "muito pouco crente" no sucesso da reunião desta quarta-feira com o primeiro-ministro, onde se vai debater a construção do aeroporto do Montijo. Joaquim Santos só deixará de se opor à obra se António Costa "provar que o aeroporto em Alcochete é pior do que no Montijo a nível dos custos e do impacto sobre as populações e o ambiente".

Defendendo não ter uma posição "dogmática" mas sim "racional" e sustentada nos estudos existentes, Joaquim Santos acusa o Governo de ter avançado para a opção Montijo "sem ouvir ninguém". "Não quis ouvir a Ordem dos Engenheiros, a Ordem dos Biólogos nem o setor da aviação comercial mas, agora, tem de ouvir os municípios porque a lei o impõe", diz ao JN.

Da reunião de quarta-feira, convocada pelo primeiro-ministro para São Bento e com a presença do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, o autarca espera que o Governo esclareça se o "mistério" de ter alterado a sua posição se deveu ao interesse nacional ou ao "interesse da Vinci", empresa que detém a ANA.

Impactos do Montijo são "muito maiores"

Embora ressalvando que "nunca nenhum projeto está totalmente comprometido", Joaquim Santos defende não fazer sentido "localizar o aeroporto no Montijo, quando em Alcochete é mais favorável". Garante que os impactos ambientais serão "muito maiores" no Montijo em virtude da proximidade ao rio Tejo e à zona das aves migratórias, cuja eventual interferência nos aviões poderá causar "problemas gravíssimos de segurança".

"Em Alcochete, os impactos serão menores", assegura; nessa localidade apenas serão afetadas "400 pessoas de forma direta", ao passo que, no Montijo, o número ascenderá a 50 mil.

O autarca do Seixal também contesta que a solução Montijo seja a de mais rápida execução, uma vez que "tem de se construir dentro de água e, para isso, é preciso um licenciamento diferente". Questionado sobre se, na quarta-feira à hora de almoço, o país estará a falar do fim do impasse na obra do Montijo, Joaquim Santos responde: "espero que estejamos a falar do início do novo aeroporto em Alcochete".

As Câmaras do Seixal e da Moita encabeçam a oposição à construção do aeroporto do Montijo, a que se juntam também as autarquias de Setúbal, Palmela, Sesimbra e Benavente, todas da CDU. António Costa convocou os presidentes da Câmara do Seixal e da Moita - bem como os de Lisboa, Montijo, Alcochete e Barreiro, do PS - para uma "reunião de emergência" onde se vai discutir a obra, que entrou num impasse. O Governo pôs em cima da mesa a mudança da lei que permite o veto das autarquias, mas quer BE, quer PCP quer PSD opuseram-se a esta alteração.

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