Despistes

Autarcas do Norte contra início dos testes em lares do Centro e Sul

Autarcas do Norte contra início dos testes em lares do Centro e Sul

Região tem mais infetados que o resto do país, mas prioridade foi Lisboa, Aveiro, Évora e Guarda. Governo promete alargar despiste a todo o país e já tem 14 universidades a desenvolverem exames.

O programa de acréscimo de testes da Covid-19 em lares de idosos do país, lançado esta semana pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), está a ser alvo de críticas de autarcas do Norte, que não compreendem como é que foi excluída, da primeira fase, a região com mais pessoas infetadas.

A ideia do Governo é testar os funcionários e utentes de todos os lares de idosos do país, mas a primeira fase do projeto é exclusiva dos distritos de Lisboa, Aveiro, Évora, Guarda e Algarve. Entre as dez cidades com mais infetados, apenas Lisboa tem os testes do MTSSS a decorrer, sendo que as restantes estão a cargo da rede do Ministério da Saúde.

"Não consigo perceber o critério. O Norte é a região com mais casos e é aí que há problemas nos lares", adianta Paulo Cunha, autarca de Famalicão. Ontem, as câmaras da Póvoa de Lanhoso, Amares, Terras de Bouro e Vieira do Minho enviaram uma carta ao Governo a protestar contra a decisão de dar prioridade aos distritos do Centro e Sul, o que causa "grandes preocupações e desagrado".

Os oito municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal do Ave também emitiram, anteontem, um comunicado a "demonstrar o seu desagrado com esta decisão do Governo". Desta CIM fazem parte as câmaras de Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Fafe, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho e Vizela.

A estes juntaram-se, ontem, os protestos de Paços de Ferreira, Resende e Arcos de Valdevez. Também Rui Moreira, autarca do Porto, já tinha dito que "as escolhas que estão a ser feitas não respondem à dimensão relativa da crise sanitária".

Universidades

Ao JN, a ministra Ana Mendes Godinho admite que os objetivos e forma de funcionamento do programa podem ter sido mal-entendidos, uma vez que esta é uma resposta "complementar à do Ministério da Saúde". Ou seja, o Ministério da Saúde é já responsável por atuar nas áreas com maiores focos de contágio, ao passo que o programa do Ministério do Trabalho vai reforçar essa capacidade, com testes fabricados pelas universidades, com destino aos lares de idosos.

Cada universidade está a fabricar o seu próprio kit, seguindo o protocolo estabelecidos pelos Centros para Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Os reagentes também são produzidos em Portugal pela empresa de biotecnologia NZYTech. Ao todo, segundo Ana Mendes Godinho, o Governo já reuniu 14 universidades e politécnicos que "estão a preparar e a desenvolver testes de Norte a Sul do país", como são os casos de Vila Real Bragança, Viana, Coimbra, Covilhã, Castelo Branco ou Évora, entre outros.

A prioridade é testar "os profissionais que trabalham nos lares e os utentes que tenham algum tipo de suspeitas ou sintomas", acrescenta a responsável, que não se compromete com um prazo para a conclusão do projeto, uma vez que só para terminar os testes à região do Algarve, iniciados há poucos dias, vai demorar cerca de três semanas.

Mercado sem testes

O primeiro-ministro, António Costa, já afirmou que o objetivo é cobrir o país com iniciativas de despiste da Covid-19 em lares "na próxima semana".

No entanto, para vários autarcas, a próxima semana pode já ser tarde para muitos idosos, pelo que manifestaram disponibilidade para pagar a realização de testes. O problema é que a maioria dos presidentes de Câmara que anunciou a realização de testes aos lares não está a conseguir adquiri-los por falta de disponibilidade do mercado.

"A ideia com que eu fico, neste momento, é que o país não tem testes", reforça Paulo Cunha.

PORMENORES

Santo Tirso - A porta-voz da Misericórdia de Santo Tirso comunicou, ontem, o falecimento de uma utente de 85 anos do Lar Dra. Leonor Beleza. A idosa era uma das duas utentes da instituição que estavam internadas no Hospital São João, no Porto.

Vieira do Minho - Também uma utente do Lar Divino Salvador de Rossas, em Vieira do Minho, morreu devido ao novo coronavírus. A mulher, com 80 anos, é a primeira vítima mortal no concelho.

Vila do Conde - Deram negativos os testes à Covid-19 feitos a duas utentes e quatro funcionárias do lar da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde.

Alvaiázere - Os 25 idosos que contraíram o novo coronavírus num lar em Alvaiázere encontram-se estáveis e assintomáticos.

Ílhavo - Os utentes do Lar São José, em Ílhavo, onde morreu uma idosa infetada com o novo coronavírus, começaram ontem a fazer o teste à Covid-19.

Vouzela - A Câmara de Vouzela investiu "dezenas de milhares de euros" para realizar mais de 350 testes em funcionários e utentes de instituições sociais do concelho.

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