Rodovia

Autoestradas desertas vão custar mais 675 mil euros por dia ao Estado

Autoestradas desertas vão custar mais 675 mil euros por dia ao Estado

Tráfego caiu 75% nas principais vias, o que significa menos 4,7 milhões de euros de receitas de portagens. Concessionárias recebem o mesmo.

As autoestradas vazias devido à Covid-19 representam um custo acrescido para o contribuinte. Com base nos números do trimestre homólogo do ano passado, da Unidade Técnica de Acompanhamento de Projetos do Ministério das Finanças, cada dia que passa com menos 75% de tráfego nas estradas concessionadas custa mais 675 mil euros diários aos cofres do Estado.

A simulação baseou-se nos dados divulgados anteontem pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação (MIH), segundo os quais o tráfego nas principais autoestradas caiu 75% na semana passada face à semana anterior.

Os encargos brutos com as concessões de autoestradas rondaram 440 milhões de euros no primeiro trimestre do ano passado. As receitas de portagens do mesmo período, pouco passaram de 81 milhões de euros (18%), pelo que os restantes 359 milhões, pagos às concessionárias ou despendidos em conservação de vias, vieram do Estado, em última análise pelos contribuintes. A dividir pelos 90 dias do trimestre, estes valores significam um custo diário de cerca de 4,9 milhões de euros, dos quais só cerca de 900 mil euros foram assegurados por receitas de portagens. Para 2020, estes cálculos pecam por defeito devido ao crescimento do tráfego que acompanharia a economia este ano e excluindo a Páscoa, que beneficiaria os números deste trimestre.

Menos 4,7 milhões de euros

O MIH destacou que, na semana passada, a quebra de tráfego foi mais acentuada na A1, na A2, na A4, na A23 e na A25. São estas as que mais rendem em portagens e ajudam a pagar as concessões deficitárias, pelo que a quebra de 75% mencionada pela tutela pode ter um peso superior aos dos cálculos do JN. Assim, calculados sobre 100% das receitas de portagens do primeiro trimestre do ano passado, os 75% de quebra durante o período homólogo equivalem a 61 milhões de euros, restando apenas 20 milhões de euros para atenuar a fatura de 440 milhões.

Aplicando apenas à semana passada, só se arrecadaram 225 mil euros por dia (- 675 mil euros), o que equivale a perdas de 4,7 milhões de euros. Os 1,6 milhões arrecadados só pagam 4,7% da fatura de 34 milhões de euros (4,9 milhões por dia).

A prolongar-se por três meses a atual paralisia económica, sendo que o segundo trimestre do ano teria sempre mais tráfego do que o primeiro (que é, à exceção da Páscoa, o mais tranquilo nas estradas), o impacto para os cofres do Estado não será inferior a 61 milhões de euros. Quanto às concessionárias, mesmo com menos tráfego e desgaste, os valores a receber serão idênticos aos do ano passado.

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