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Bióloga que faz arte com plástico premiada pela Quercus 

Bióloga que faz arte com plástico premiada pela Quercus 

Ana Pêgo distinguida na celebração dos 35 anos da associação ambientalista.

A bióloga e artista Ana Pêgo foi, este sábado, distinguida pela Quercus pelo seu trabalho de sensibilização sobre os plásticos nos oceanos "Plasticus maritimus". A vencedora do prémio Quercus 2020, na categoria individual, foi revelada por altura do 35.º aniversário da associação ambientalista.

A Quercus distinguiu, na categoria coletiva, a Associação Biodiversidade Para Todos (BioDiversity4all), pelo seu trabalho na área da biodiversidade.

Ana Pêgo, "protetora do ambiente", como lhe chama a Quercus, é uma bióloga marinha que, aproveitando plástico recolhido dos oceanos, começou a criar obras de arte. A primeira escultura, intitulada "Balaena plasticus", surgiu em 2014 e é um esqueleto de baleia-de-barbas feito com 250 peças de plástico branco, com cerca de 10 metros de comprimento. A baleia, feita em parceria com Luís Quinta, esteve em exposição em diversos locais e conquistou o "B Green Innovation Award", no Greenfest 2015.

A ideia foi-se desenvolvendo e deu origem ao projeto "Plasticus maritimus", que tem como missão sensibilizar para o problema do plástico. Deu, entretanto, origem ao livro "Plasticus maritimus - uma espécie invasora", assinado por Ana Pêgo e Isabel Minhós Martins com ilustrações de Bernardo P. Carvalho, uma obra já traduzida em diversos idiomas.

Plástico mata espécies marinhas

Segundo a Quercus, estima-se que "desde a década de 1950 já foram produzidos 8,3 mil milhões de toneladas de plástico e apenas 9% foram reciclados". O Programa das Nações Unidas para o Ambiente calcula que cerca de 8 milhões de toneladas de resíduos de plástico são lançadas para os oceanos a cada ano, o equivalente a um camião cheio de lixo a cada minuto, demorando entre 200 a 400 anos a desaparecer na natureza.

Os impactes do plástico no contexto marinho "têm confirmado a morte de milhares de crias de aves marinhas no Pacífico que, por engano, são alimentadas pelos progenitores com resíduos de plásticos de pequenas dimensões que não se degradam no seu aparelho digestivo", acrescenta a associação. Os microplásticos (pequenas partículas de plástico) acabam nos rios e mares, entrando na cadeia alimentar dos animais e dos seres humanos.

É, por isso, "urgente unir esforços para reduzir o consumo de plásticos de uso único, responsabilizar quem os coloca no mercado pelo seu correto encaminhamento e promover ações de limpeza das praias e outros locais afetados pela acumulação destes resíduos maioritariamente trazidos pelos oceanos", defende a Quercus.

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