Diálogos

Ainda há respostas por dar às pessoas com deficiências

Ainda há respostas por dar às pessoas com deficiências

Apesar das falhas, secretária de Estado aponta maior visibilidade. Bispo Américo Aguiar lembra histórico da emigração portuguesa.

A secretária de Estado da Igualdade e Migrações, Isabel Almeida Rodrigues, reconheceu, esta quinta-feira, que "enquanto sociedade ainda não conseguimos responder com toda a latitude" às necessidades das pessoas com deficiência. Na quarta sessão dos seis "Diálogos de Sustentabilidade", uma parceria entre o Global Media Group e a Fundação INATEL, a governante sublinhou, ainda assim, que, nos últimos anos, "a tutela fez um caminho extraordinário" em termos de visibilidade. O bispo auxiliar de Lisboa e presidente da fundação organizadora da Jornada Mundial da Juventude de 2023 (JMJ 2023), Américo Aguiar, afirmou que são vários os "excelentes exemplos de associações que têm normalizado a presença de pessoas com necessidades ou limitações especiais".

"Creio que se lembram que muitas famílias que tinham filhos com alguma deficiência viviam isoladas da comunidade. Muitas crianças não iam à escola e ficavam em casa o dia todo", recordou a secretária de Estado, no debate sobre inclusão social que decorreu na Costa da Caparica. Esse cenário já é longínquo, dadas as mudanças alcançadas através da sensibilização feita junto das entidades patronais para adaptarem os locais de trabalho às necessidades das pessoas com incapacidade, referiu Isabel Almeida Rodrigues. A governante deu ainda como exemplo o facto de existirem cada vez mais jovens com deficiência a frequentar o Ensino Superior.

PUB

Quanto às quotas de trabalhadores com um grau de incapacidade superior a 60% na Administração Pública, atualmente nos 2,8%, Isabel Rodrigues admite que ficam "aquém" do desejável, mas "por inexistência de candidaturas".

Reforçar conciliação

Face a uma população cada vez mais envelhecida, a secretária de Estado mostrou-se também preocupada com a inclusão das pessoas mais idosas, admitindo que é preciso reforçar a disponibilidade de recursos financeiros, não só através da atualização das pensões, mas também do aumento do salário mínimo e médio, para garantir que há um acesso adequado à mobilidade e à assistência em casa. O mesmo se aplica no caso de crianças com deficiência ou necessidades especiais. "A rede de apoio domiciliário garante a ajuda que muitas vezes as famílias não conseguem assegurar", uma vez que estão em vida ativa e no mercado de trabalho, referiu.

Embora exista em Portugal "um conjunto robusto de medidas e respostas que permitem suprir estas necessidades", para a governante o caminho deve ser o de reforçar a conciliação da atividade profissional com a vida familiar e pessoal. "Temos de melhorar os nossos resultados na área da conciliação. São as mulheres as que interrompem mais a carreira para apoiar os filhos e que, no final, vivem em piores condições", exemplificou.

Por seu turno, o bispo Américo Aguiar advertiu que a sociedade portuguesa deve deixar de "entender os mais velhos como um problema", reconhecendo de igual modo a importância do setor social para "colmatar" esta dificuldade de resposta da família. Alertou, por isso, para uma gestão do dinheiro público que responda adequadamente às necessidades de cada um. "É preciso que no fim do dia aquela pessoa tenha tido uma resposta. Isso é que é importante", sublinha.

Procuram uma vida melhor

Segundo Isabel Almeida Rodrigues, apesar de cada fluxo migratório ter as suas especificidades, há algo que não muda. "Estas pessoas vêm apenas à procura de uma vida melhor. Procuram ter uma alimentação disponível, um sítio com o mínimo de condições para viverem e rendimento para ajudarem as famílias que ficam nos países de origem"

O bispo Américo Aguiar apelou que os portugueses tratem quem chega ao país com reciprocidade. "Não nos podemos esquecer, portugueses e portuguesas, que nós somos um povo de migrantes. Por isso, fica-nos muito bem fazermos aquilo que achamos que é certo fazerem aos portugueses que estão no estrangeiro".

Isabel A. Rodrigues,s ecretária de Estado da Igualdade e Migrações

Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa

O Centro de Educação e Desenvolvimento António Aurélio da Costa Ferreira foi a instituição homenageada durante o quarto debate do ciclo "Diálogos de Sustentabilidade". Há 26 anos que o centro de ensino especial, pertencente à Casa Pia de Lisboa, desenvolve programas de reabilitação e integração de crianças e jovens com deficiência. A diretora da instituição, Sónia Esperto, e a presidente do Conselho Diretivo da Casa Pia, Fátima Matos, receberam o prémio que distinguiu a instituição, "resposta única do país na reabilitação de pessoas com surdo-cegueira".

São seis os Diálogos de Sustentabilidade que as marcas do Global Media Group estão a promover, em parceria com a Fundação INATEL. Os "Diálogos" são um dos pilares do Fórum de Sustentabilidade e Sociedade, que inclui uma grande conferência e um festival em maio, em parceria com a Câmara Municipal de Matosinhos, a Galp, a CGD e o Grupo Bel.

Diálogos Interculturais

É já no próximo dia 9 de fevereiro que avança a discussão sobre as formas de garantir cidades e comunidades sustentáveis, no Teatro da Trindade INATEL, em Lisboa. O quinto diálogo, marcado para 9 de fevereiro, a partir das 16 horas, vai contar com a presença do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva. O outro orador será Mário Lúcio, cantor e compositor, escritor e antigo ministro da Cultura de Cabo Verde.

Instituições Eficazes

Esta série de "Diálogos" fecha com a discussão sobre a necessidade de reformar e reforçar as instituições. O debate terá lugar no Porto, em março, esperando-se que o secretário-geral da ONU, António Guterres, possa participar.

Trabalho e Turismo

O primeiro dos Diálogos de Sustentabilidade foi dedicado ao "Trabalho Digno" e decorreu no início de outubro, no INATEL Foz do Arelho, com a presença de Manuel Carvalho da Silva e do secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes. No mesmo mês, teve também lugar a conferência sobre "Turismo Sustentável", no INATEL Albufeira, com Francisco Madelino, presidente da Fundação INATEL, e a ex-secretária de Estado do Turismo Rita Marques como protagonistas.

Economia Azul

As formas de explorar, de forma sustentável, a nossa costa atlântica, estiveram em debate, no início de janeiro, no INATEL Setúbal, com António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar, e o professor Filipe Duarte Nunes, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável e especialista em alterações climáticas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG