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Carlos Costa confirma pressões e SMS do primeiro-ministro para manter Isabel dos Santos

Carlos Costa confirma pressões e SMS do primeiro-ministro para manter Isabel dos Santos

Carlos Costa, ex-governador do Banco de Portugal, confirmou esta terça-feira que o primeiro-ministro, António Costa, o contactou para que protegesse a posição da empresária Isabel dos Santos no BIC e que agora, no dia em que anunciou que o iria processar, o próprio chefe de Governo lhe enviou uma SMS em que confirma esse mesmo contacto e a "intromissão do poder político junto do Banco de Portugal" para que não afastasse a empresária angolana.

O antigo governador confirmou nomeadamente que António Costa lhe ligou para o telemóvel para dizer que não se pode "tratar mal a filha do presidente de um país amigo", conforme consta do livro apresentado esta terça-feira do jornalista Luís Rosa.

O primeiro-ministro, António Costa, já anunciou, à entrada para a recente reunião da Comissão Política do PS, que irá processar o ex-governador do Banco de Portugal por ofensa à sua honra, depois de, no livro, o antecessor de Mário Centeno ter relatado que foi pressionado em 2016 pelo chefe do Governo para não retirar Isabel dos Santos da administração do BIC.

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"Confirmo que o senhor primeiro-ministro me contactou para o meu telemóvel no dia 12 de abril à tarde", sublinhou o ex-governador, insistindo que o contacto foi feito após se ter reunido com a empresária angolana no sentido de proteger a sua posição naquela instituição bancária.

Além disso, Carlos Costa garantiu esta terça-feira que o chefe do Governo, já quando anunciou um processo por ofensa à sua honra, lhe enviou uma SMS em que "reconhece" que o contactou "para transmitir a inoportunidade do afastamento de Isabel dos Santos".

"Esta semana, no mesmo dia em que anunciava um processo judicial, o senhor primeiro-ministro enviou-me uma mensagem escrita em que reconhece que me contactou para me transmitir a inoportunidade do afastamento da engenheira Isabel dos Santos. Ou seja, é o próprio primeiro-ministro a confirmar a tentativa de intromissão do poder político junto do Banco de Portugal", garantiu em Lisboa o antecessor de Mário Centeno, na apresentação do livro.

António Costa enviou uma mensagem ao ex-governador hora e meia depois da pré-publicação de um capítulo do livro "O Governador". A SMS confirma que o primeiro-ministro fez uma chamada a Carlos Costa sobre Isabel dos Santos, considerando "inoportuno" o seu afastamento do BIC.

Na SMS, Costa terá desmentido ter dito que não se podia tratar mal a filha do presidente de um país amigo, mas confirma que ligou a Carlos Costa após uma reunião em que o Banco de Portugal quis afastar Isabel dos Santos.

Assis explica ausência

Entretanto, o presidente do Conselho Económico Social, o socialista Francisco Assis, justificou o facto de ter desistido de fazer a apresentação do livro sobre o ex-governador Carlos Costa para não ser interpretado como hostilidade contra o primeiro-ministro.

"Não foi uma decisão agradável, mas foi a que se impôs à minha consciência. Tenho uma longa relação do ponto de vista político com António Costa e entendi que era meu dever abster-me de participar num ato em que a minha presença seria inevitavelmente interpretada como uma manifestação de hostilidade pessoal com ele", justificou.

Já o antigo presidente do PSD Marques Mendes defendeu que o Ministério Público abra um processo de investigação criminal à forma como foi vendido o Banif e exigiu explicações públicas a António Costa sobre o caso que envolve Isabel dos Santos.

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