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CDS e Chega trocam acusações e insultos em debate aceso

CDS e Chega trocam acusações e insultos em debate aceso

O debate mais aceso à direita. Líderes trocaram ataques pessoais, falaram sobre corrupção, apoios sociais e Igreja

Espelho meu, espelho meu, quem representa melhor a verdadeira direita do que eu? Foi neste registo que começou o debate entre Francisco Rodrigues dos Santos e André Ventura, na CNN. Os dois líderes trocaram ataques pessoais, insultos, e acusações, mas ainda houve tempo para algumas propostas concretas.

O líder do Chega determinou o tom do debate desde ínicio. "Este é o CDS das passadeiras arco íris" e da "direita fofinha". "Não é essa direita que queremos ser, nós não queremos ser a direita mariquinhas", atirou André Ventura. Rodrigues do Santos foi claro na resposta: "O André Ventura não é, de todo, da minha direita". E acusou o líder do Chega de ser "tudo e o seu contrário". É um "catavento do nosso sistema político", concluiu o líder do CDS.

Os apoios sociais também separam os partidos. André Ventura atacou "aqueles que há anos vivem à custa dos nossos impostos", e acusou o CDS de falta de coragem e ter de "medo das palavras". Para Rodrigues dos Santos, é importante fiscalizar os apoios sociais para garantir que não é "gasto dinheiro para gente que não precisa". Rodrigues dos Santos sublinhou ainda que muitas famílias dependem desses apoios para sobreviver.

Muito mais é o que os une, mas há algo que os separa

Se os dois partidos da direita convergem na fiscalização de apoios sociais, no combate ao que chamam "ideologia de género", defesa do mundo rural e combate à corrupção... divergem no essencial: quem é, afinal, da verdadeira direita. André Ventura acusou o CDS de ter votado 1798 vezes ao lado do Partido Socialista e de ser a "bengala rejeitada do PSD". Rodrigues dos Santos diz que o voto no Chega dificulta uma maioria de direita: "André Ventura é a caricatura da direita que interessa à esquerda".

Em matéria de corrupção, os líderes trocaram ataques pessoais sobre a pertença a clubes de futebol. "Nós sempre fomos o partido que defendeu a corrupção, mas o André Ventura só é contra a corrupção quando não são os amigos dele", referindo-se a Luís Filipe Vieira, ex presidente do Benfica. O líder do Chega relembrou o tempo em que Rodrigues dos Santos fez parte da direção do Sporting, com uma acusação: "se há cambalachos é aí para o vosso lado". Recorde-se que o líder do CDS abandonou a direção do Sporting para apresentar a sua candidatura a líder do CDS-PP.

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A Igreja também foi tema. O CDS defende os valores da doutrina social da Igreja, disse Rodrigues dos Santos, e questionou André Ventura por criticar o Papa. O líder do Chega ripostou: "Lições de catolicismo dá lá em casa".
Rodrigues dos Santos acusou André Ventura de ser presidente de "um partido de fanáticos, unipessoal, que não dá estabilidade em lado nenhum". E acrescentou: "um esquadrão de cavalaria a desfilar na sua cabeça não esbarra contra uma ideia". André Ventura respondeu, "sou fanático pelos portugueses, disso não tenha dúvidas, sou fanático por pôr na ordem aquilo que partidos como o seu deixaram na ruína em Portugal".

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