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Chega abandona plenário. "Não me impressionam com pateadas", diz Santos Silva

Chega abandona plenário. "Não me impressionam com pateadas", diz Santos Silva

Os 12 deputados do Chega abandonaram a sessão do Parlamento desta quinta-feira, acusando o presidente da Assembleia da República de não ser isento. "Sempre que o prestígio da Assembleia estiver em causa, pode ter a certeza que intervirei", respondeu Augusto Santos Silva. Os deputados debatiam o novo regime jurídico para estrangeiros em Portugal, proposto pelo Governo e que acabou aprovado.

Após um ataque do líder do Chega, André Ventura, aos imigrantes que vivem em Portugal - acusando-os em bloco de serem "subsidiodependentes" -, Santos Silva tomou a palavra.

"Enquanto presidente da Assembleia da República, considero que Portugal deve muito, mas mesmo muito, aos milhares de imigrantes que aqui trabalham, que aqui vivem e que aqui contribuem para a nossa Segurança Social, para a nossa coesão social, para a nossa vida coletiva, para a nossa cidadania e para a nossa dignidade como um país aberto inclusivo e respeitador dos outros". Foi aplaudido por todas as bancadas à exceção da do Chega, com a do PS a bater palmas de pé.

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Os deputados do partido de extrema-direita abandonaram o hemiciclo a meio da intervenção de Santos Silva, e já depois de terem reagido com pateadas à observação da segunda figura do Estado. "Não me impressiono nem com pateadas nem com volume de som", retorquiu Santos Silva.

Às palavras de Ventura, que o acusou de ser "apoiante do PS", Santos Silva respondeu que representa "o chão democrático comum desta Assembleia, tal como a Constituição determina".

Lembrando que a sua função é "garantir o prestígio" da função de deputado, acrescentou, dirigindo-se ao líder do Chega: "Sempre que o prestígio da Assembleia da República estiver em causa, pode ter a certeza que intervirei". Frisou ainda que defende "a democracia e a liberdade" para todos e que assim continuará "até ao fim dos meus dias".

O episódio começou quando André Ventura contestou a intervenção de Rui Tavares, do Livre, na qual este referiu que um dos argumentos que devem levar ao bom acolhimento dos imigrantes é o facto de Portugal ter, também, uma enorme comunidade a viver no estrangeiro.

Sem se sustentar em quaisquer dados, o líder do Chega contrapôs que, ao contrário da diáspora lusa, a imigração em Portugal é "subsidiodependente". Também acusou o Governo e os partidos de quererem atrair emigrantes para Portugal "de qualquer maneira".

O Chega tem chamado a si alguma atenção mediática extra-debate devido às sucessivas quezílias com Santos Silva durante os plenários. Esta quinta-feira, Ventura lembrou que o seu partido apresentou um projeto de resolução que censura o comportamento de Santos Silva, referindo que quer discuti-lo "já em setembro".

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