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Ciclones tropicais vão ser cada vez mais frequentes na Europa

Ciclones tropicais vão ser cada vez mais frequentes na Europa

Os fenómenos meteorológicos mais intensos, como os ciclones tropicais, podem tornar-se mais frequentes do que no passado. E poderão, por isso, atingir mais vezes as águas portuguesas e, consequentemente, o território nacional, incluindo as ilhas. O JN falou com Nuno Lopes, chefe da divisão de Previsão Meteorológica, Vigilância e Observação da Terra do IPMA.

Lorenzo, Leslie, Ophelia e Pablo. São nomes de tempestades tropicais e/ou furacões que atingiram direta ou indiretamente o nosso país com chuva, vento e agitação marítima. Alguns fenómenos provocaram mesmo danos materiais.

Os Açores é o território que regista mais estragos pela sua localização no Atlântico: por exemplo, 250 ocorrências e desalojamento de 53 pessoas à passagem do furacão Lorenzo, no passado mês de outubro.

Os fenómenos meteorológicos mais intensos, como os ciclones tropicais, podem tornar-se mais frequentes do que no passado. Os furacões no Atlântico têm efetivamente aumentado em número e em intensidade, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"Nem todos os anos se verificou a presença de ciclones tropicais, mas nos últimos anos quatro anos tivemos a passagem anual de um ou mais ciclones tropicais nas nossas águas", esclarece ao JN, Nuno Lopes, chefe da divisão de Previsão Meteorológica, Vigilância e Observação da Terra do IPMA.

E podem não são ser fáceis de prever pelos especialistas: envolvem "aspetos físicos de difícil modelação". Os ciclones tropicais são muito diferentes uns dos outros, não há modelos iguais.

Furacões dos EUA dificilmente chegam cá

E como surge um ciclone tropical? Geralmente forma-se em "zonas tropicais ou subtropicais onde a água do mar apresenta valores elevados de temperatura à superfície (superior ou igual a 26 graus Celsius)", explica Nuno Lopes. A isso conjuga-se uma "rotação organizada" dos ventos próximos da superfície "em torno de um centro bem definido". Em termos gráficos surge assim uma trovoada.

As imagens que nos chegam dos Estados Unidos da América de vários furações e o seu impacto devastador em casas e famílias não devem ser encaradas com tanta preocupação em Portugal ou Espanha.

O especialista do IPMA esclarece que existe "uma correlação elevada com a resiliência das estruturas e com o dimensionamento destas para os fenómenos esperados", quando questionado sobre se a Península Ibérica poderá estar ou não preparada para os fenómenos meteorológicos mais intensos.

Além disso, Nuno Lopes acrescenta que "a temperatura da superfície da água do mar, que funciona como o combustível que alimenta um furacão, (...) é muito mais elevada na parte sul dos EUA do que em águas europeias". Ou seja, furacões de categoria elevada em Portugal são cenários altamente improváveis.

Apesar de as alterações climáticas poderem ter peso na maior frequência dos ciclones tropicais, ainda não há uma "evidência científica sólida" até à data, segundo o IPMA.

Um estudo do Laboratório Geofísico de Dinâmica dos Fluidos, em original "Geophysical Fluid Dynamics Laboratory", revisto pela última vez este mês, adianta que a intensidade dos ciclones tropicais provavelmente aumentará de 1 a 10%, de acordo com projeções para um aquecimento global de 2 graus Celsius.

"O que se pode deduzir, de acordo com o passado recente e os últimos estudos sobre alterações climáticas, é que é razoável esperar a continuação da chegada de ciclones tropicais a zonas cada vez mais próximas do continente europeu", conclui Nuno Lopes.

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