
Pedro Correira/Global Imagens
Fontaínhas Fernandes aponta para a pouca procura das gerações mais jovens pelos cursos superiores na área florestal.
O comissário do Compromisso com a Floresta 2030, Fontaínhas Fernandes, quer ver um maior interesse dos jovens pela área florestal, procurando mais os cursos superiores do setor. Para Fontaínhas Fernandes, um plano de comunicação e imagem da floresta será uma das medidas a implementar.
"Temos a geração mais qualificada de sempre, mas nesta área há ainda pouca procura. Já há instituições de ensino superior a mostrar alternativas, como ofertas formativas em contexto empresarial, que podem ser importantes", entende Fontaínhas Fernandes.
O comissário apela ainda a uma reformulação da formação na área, uma vez que "os jovens querem contextos educativos em que possam intervir mais" e defende um plano de comunicação e imagem para a floresta. "Só assim conseguimos atrair os mais novos para esta área", defende.
Fontaínhas Fernandes falou durante a conferência Compromisso Floresta 2030, que se realizou ontem em Coimbra. Já antes, o responsável da Forestis, Luís Braga da Cruz, tinha apontado para a necessidade de maior formação e maior qualificação no setor, sugerindo a criação de um programa de bolsas.
A encerrar os trabalhos, o secretário de Estado das Florestas, João Paulo Catarino, apontou para investimentos de 270 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência e considerou imprescindível que os proprietários florestais adiram a modelos de gestão coletiva. "É cada vez mais necessário que os proprietários se organizem", concluiu.
O presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, Tiago Oliveira, alertou também para a necessidade de organização dos proprietários florestais. "97% da propriedade florestal é privada, os privados têm de se organizar", sublinhou.
Menos burocracia
Num painel em que participaram diretores de empresas ligadas à indústria florestal, todos foram unânimes em pedir menor burocracia por parte do Estado, numa altura em que também se estão a virar para a aquisição de terrenos e produção.
"Andamos há dois anos a querer plantar mil hectares de sobreiros e não conseguimos.
Temos de reduzir a burocracia de quem quer investir, porque o mercado não espera por nós", defendeu o responsável do Grupo Amorim, António Amorim. Rui Correia, da Sonae Arauco, apontou que, dos quatro países onde têm fábricas (Portugal, França, Alemanha e África do Sul), Portugal é o único país onde lhes são levantados problemas.
"Temos um problema de produtividade da floresta, a floresta de pinho está abandonada.
Estamos a começar a intervir na floresta, não sendo proprietários, mas se calhar vamos ter de ser", elencou.
