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Compra de jornais deve ter incentivos fiscais

Compra de jornais deve ter incentivos fiscais

Pode o Estado ajudar o jornalismo? Afonso Camões acredita que sim, sobretudo a nível fiscal. No primeiro dia da Conferência Financiamento dos Media, a decorrer em Cascais, o administrador do Global Media Group (GMG) - que detém o JN - defendeu ser "essencial" que os gastos dos portugueses com jornalismo, tanto em papel como em assinaturas digitais, possam ser abatidos no IRS.

O responsável do grupo que também é dono do DN, da TSF e de O Jogo expressou também preocupação com as empresas de clipping (agregadores de notícias), lembrando que, conforme o JN noticiou esta segunda-feira, o próprio Governo contratou um desses serviços sem pagar a devida licença à Visapress. Para responder a essa realidade, Afonso Camões diz ser urgente pôr fim ao "pecado original" do jornalismo moderno, que foi ter "partilhado gratuitamente na internet o que só vendia no papel".

"Medidas excecionais"

Para a presidente do Sindicato dos Jornalistas, "o setor nunca esteve tão frágil", sendo que "tempos excecionais exigem medidas excecionais". Sofia Branco considera "imperioso" debater o papel do Estado na comunicação social, ressalvando, porém, que o caminho não deverá ser a "intervenção direta".

Vários outros oradores ­convidados ­- entre eles Ricardo Costa e Sérgio Figueiredo, diretores de informação, respetivamente , da SIC e TVI - também expressaram reservas quanto à possibilidade de financiamento direto dos media por parte do Estado. Alertaram, no entanto, para a necessidade de dar resposta, à escala europeia, a gigantes tecnológicos como a Google ou o Facebook - que, nas palavras de Ricardo Costa, ficam com 60% a 70% do valor gerado pelos media em publicidade digital.

Afonso Camões também denuncia uma realidade em que os "gigantes tecnológicos cativam e abocanham dois terços da receita publicitária gerada pelos nossos conteúdos". Defende ser essencial redistribuir esses recursos, uma vez que "a sustentabilidade de um meio de comunicação é o primeiro pressuposto da sua independência".

Todos foram unânimes quanto à necessidade de "trancar" as notícias online. Ricardo Costa disse que os media se "deslumbraram" e abriram tudo, Manuel Carvalho (diretor do Público) concorda que é preciso "fechar" os conteúdos digitais e Mafalda Anjos (diretora da Visão) classificou a disponibilização de todos os artigos ao público como um "ato kamikaze" que tem de ser corrigido.