Altice

Comunidade Israelita de Lisboa desconhece inquérito à naturalização de Patrick Drahi

Comunidade Israelita de Lisboa desconhece inquérito à naturalização de Patrick Drahi

A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) desconhece qualquer inquérito sobre o processo de naturalização do empresário Patrick Drahi e afirmou-se disponível para colaborar com as autoridades, "atendendo ao interesse público da matéria".

Em comunicado, a CIL confirma que, "em 2015, emitiu um certificado de demonstração da tradição de pertença a uma comunidade sefardita de origem portuguesa, nos termos da lei" ao empresário Patrick Drahi.

Face a "notícias que dão conta de uma investigação" respeitante ao processo de naturalização de Patrick Drahi, a Comunidade Israelita de Lisboa refere que "até ao momento não foi contactada pelas autoridades para prestar esclarecimentos sobre esse, ou qualquer outro processo".

PUB

"Atendendo ao interesse público da matéria, e porque há que contribuir para que não reste qualquer dúvida sobre a legalidade do mesmo, a CIL informa que na próxima segunda-feira, dia 14 de março, contactará, por sua iniciativa, as autoridades", afirma.

No comunicado, a CIL considera que a Lei de Reparação História, que permite a concessão da nacionalidade portuguesa, por naturalização, a descendentes de judeus sefarditas, "é uma lei progressista e profundamente humanista que não deve ser posta em causa".

"A sua regulamentação, contudo, pode e deve ser melhorada. Desde junho de 2020 que a CIL tem vindo a apresentar propostas para que o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa possa ser mais claro, transparente e eficiente", acrescenta.

Na sexta-feira, a Comunidade Judaica do Porto (CJP), cuja atuação já estava a ser investigada a propósito do processo que levou à concessão da nacionalidade portuguesa ao multimilionário russo Roman Abramovich, revelou que haveria um outro processo de naturalização em investigação, do empresário Patrick Drahi.

A investigação no âmbito do processo de Abramovich, que levou à detenção do líder religioso da CJP, o rabino Daniel Litvak, implicou a realização de buscas e envolve suspeitas de vários crimes, nomeadamente tráfico de influências, corrupção ativa, falsificação de documento, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e associação criminosa, indicaram na sexta-feira a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) num comunicado conjunto.

Em causa estarão alegadas irregularidades cometidas em processos de atribuição da nacionalidade portuguesa a descendentes de judeus sefarditas, que se encontram em investigação. Judeus sefarditas são judeus originários da Península Ibérica expulsos de Portugal no século XVI.

Em paralelo, o Instituto dos Registos e Notariado (IRN) anunciou igualmente no final de janeiro a abertura de um inquérito sobre esta matéria.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG