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Costa e Alegre acusam PSD de estar "na mão" do Chega

Costa e Alegre acusam PSD de estar "na mão" do Chega

O líder do PS acusou esta quinta-feira o PSD de estar "na mão" do Chega. Para António Costa, a força liderada por André Ventura "não é mais um partido diferente dos outros, é um partido diferente da democracia". O penúltimo comício da campanha teve também a presença do histórico Manuel Alegre que, além de apontar a mira ao Chega, criticou o "sectarismo" da Esquerda devido ao chumbo do Orçamento.

No comício de Lisboa, no Pavilhão Carlos Lopes, Costa fez do combate à extrema-direita um dos pontos centrais do seu discurso, em particular criticando a atitude do PSD face ao Chega: "Não compreendemos nem podemos compreender como passaram a campanha eleitoral a tentar normalizar um partido de extrema-direita", afirmou.

Em concreto, Costa alegou que, na véspera, David Justino, vice-presidente laranja, disse não ter "linhas vermelhas" para eventuais negociações com o Chega, durante um comentário na CNN. O socialista aludiu ainda às discussões sobre prisão perpétua entre Rio e Ventura, aquando do debate entre ambos, para ilustrar o perigo das cedências à extrema-direita.

De modo a mostrar que nem os partidos-irmãos do PSD subscrevem o comportamento social-democrata face à extrema-direita, recordou uma situação ocorrida com a CDU alemã. "Quando, num Estado da Alemanha, o Chega alemão [AFD] ia fazer um acordo com a CDU, a sra. Merkel disse: 'Não passarão!' e a líder regional foi obrigada a demitir-se. Que diferença face ao PSD, que já cedeu ao Chega nos Açores", exclamou, lembrando o acordo que sustenta o Governo Regional.

Para Costa, de pouco serve que Rio diga "que não os deixa entrar" no Conselho de Ministros, uma vez que "aceita que o seu Governo fique na mão de um partido de extrema-direita" caso essa situação venha a colocar-se. "Em circunstância alguma o nosso Governo dependerá do Chega. Nunca dependeremos do Chega para nada, nada, nada", contrapôs.

O líder do PS também criticou as "aventuras" que o PSD quer implementar no SNS e na Segurança Social (abrindo-os aos privados, alegou) e apelou ainda ao voto útil, argumentando que as eleições são "um campeonato que só dois podem ganhar": "Ninguém nos venha dizer que é votando num terceiro partido que resolvemos este empate", atirou, com BE e PCP no pensamento.

Os partidos que compuseram a geringonça têm sido pouco visados por Costa desde que este deixou de pedir a maioria absoluta. No entanto, o secretário-geral do PS deixou um aviso para eventuais aproximações futuras: "Gosto de construir pontes, abrir caminhos, juntar pessoas e unir esforços. Mas também sei quando é o momento de dizer 'não'; 'basta', 'daqui agora não passamos'".

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Alegre: "Chega com o PS não passa, com o PSD já está a passar"

Costa não foi o único a centrar o discurso no Chega. Manuel Alegre escolheu a mesma via, sempre na perspetiva de denunciar a tolerância do PSD para com essa força política. Com o PS de Costa, a extrema direita "não passa", afirmou; "Com o PSD de Rui Rio já está a passar, e isso é uma tristeza para a democracia".

"O PS nunca será refém de um partido de extrema-direita que põe em causa os fundamentos da nossa democracia", afirmou, recebendo aplausos dos socialistas que lotaram o pavilhão e motivando gritos de "Fascismo nunca mais".

Alegre também apontou a mira à Iniciativa Liberal, criticando a taxa única de IRS proposta pelo partido e acusando-o de "tentar convencer os jovens a desmantelar o Estado a que devem a sua própria educação". O partido de Cotrim Figueiredo, frisou, é "supostamente moderno mas assente em visões culturais intolerantes, restritivas e empobrecedoras".

Mas o poeta e histórico militante antifascista tinha igualmente reservadas críticas para BE e PCP: "F​​​​oi com mágoa e indignação que vi dois partidos das Esquerdas juntarem os seus votos à Direita e à extrema-direita para chumbarem um Orçamento progressista e abrirem caminho a esta crise política", acusou.

Aqui chegado, Alegre viu-se na necessidade de esclarecer que o PS é um partido da linha do sueco Olof Palme, "não de Trotski e de Lenine". "O sectarismo anti-PS não facilita a construção de pontes e de convergência. E é preciso dizer com toda a clareza, se ainda não aprenderam: sem o PS e contra o PS não há soluções de Esquerda em Portugal", considerou.

Lembrando o convite endereçado por Catarina Martins, coordenadora bloquista, a António Costa, acrescentou: "Não se pode passar a campanha a atacar António Costa e depois, com alguma presunção, convidá-lo para uma reunião a 31 de janeiro".

Alegre apelou ainda à mobilização dos portugueses: "Não há lugar à indecisão. Não decidir já é uma forma de decidir, às vezes contra si mesmo", alertou.

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