
Silva Peneda diz que os líderes distritais que não apoiaram Rui Rio se deviam demitir. No Porto, já há uma alternativa.
Um dia depois das diretas, os críticos internos cerraram fileiras em torno do reeleito líder do PSD, garantindo que tudo irão fazer para que Rui Rio seja primeiro-ministro. Mas ainda há contas internas para acertar, depois das legislativas. Históricos sociais-democratas, como Silva Peneda, acham que os líderes distritais que estiveram com Paulo Rangel se deviam demitir, por "uma questão de ética". No Porto, já está a surgir uma alternativa à liderança.
Logo na noite eleitoral, Rui Rio não resistiu a apontar o divórcio entre os líderes distritais que apoiaram Rangel e os militantes de base, acusando-os de se terem movido por "interesses pessoais". Em causa, estruturas como Santarém e Leiria, onde venceu. Mas sobretudo o Porto, onde Paulo Rangel só ganhou em Lousada e Gondomar.
"É uma questão de ética"
O presidente do PSD/Porto nega, porém, ter havido qualquer interesse pessoal no apoio unânime da distrital a Rangel. "Seria muito mais confortável se os dirigentes que apoiaram antes Rui Rio o continuassem a apoiar. As eleições diretas são feitas pelos militantes e ficou clara a vontade dos militantes", diz Alberto Machado, que não vê, assim, consequências políticas na noite de anteontem.
O ex-ministro José Silva Peneda discorda, no entanto. "É uma questão de princípio e de ética. É suposto que os agentes locais representem os militantes. Quem ocupa um lugar destes, por princípio ético, devia pôr o lugar à disposição. Se estivesse no lugar deles, era o que faria", sustenta.
"Há que tirar consequências do que aconteceu, ainda por cima quando tomaram posições tão afincadas", concorda o ex-deputado Nuno Sá Costa, que admite estar a ser pressionado a avançar à distrital do Porto, que deverá ir a votos depois das legislativas. "Está afastada do pulsar dos militantes. Já se sentiu isso nas autárquicas", aponta o advogado, referindo que, embora esteja "a ponderar", está "bastante inclinado" a concorrer contra Alberto Machado que, agora, se diz empenhado em eleger Rio como primeiro-ministro.
"Não há outra solução"
O clima é idêntico nas restantes distritais, seguindo a palavra de ordem que Paulo Rangel deixou na noite eleitoral, ao prometer "uma colaboração leal e efetiva".
"É tempo de unir e disponibilizarmo-nos para um bem maior. Tenho a certeza que Rui Rio saiu reforçadíssimo para ganhar o país", crê Gonçalo Valente, líder do PSD/Beja. "Já não há dois candidatos, há só um presidente e um partido unido para vencer", concorda o presidente do PSD/Setúbal, Paulo Ribeiro. "É a hora de juntarmos esforços e ter um único foco", reforça o líder do PSD/Viana do Castelo, Olegário Gonçalves.
Entre os líderes distritais críticos espera-se, porém, que Rui Rio faça listas de unidade. "Não há outra forma", dizem. O reeleito líder ainda não se comprometeu. Disse apenas que "fazer listas com nomes é sempre difícil em qualquer partido".
