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Custos do cartão multibanco sobem 163%

Custos do cartão multibanco sobem 163%

Ter um cartão de débito associado à conta bancária custa mais do dobro do que custava em 2012. A Deco Proteste, organização de defesa do consumidor, calculou o aumento das comissões bancárias dos principais produtos e serviços dos cinco maiores bancos nacionais e concluiu que, na última década, o aumento médio do preço do cartão multibanco foi de 163%. Em causa estão as comissões do BPI, Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos, Santander e Millennium BCP.

O aumento dos custos anuais imputados ao consumidor pelos principais serviços bancários foi, em média, de 47%, calcula a Deco Proteste, num estudo cujas conclusões enviou ao JN. Os cartões de débito, vulgo multibanco, atingiram os 163% de subida.

Nuno Rico, economista da Deco Proteste, defende que "os níveis de inflação não são suficientes para explicar os aumentos apresentados". A título de exemplo, acrescenta, no ano passado "a inflação situou-se nos 1,3%, mas a banca, no início de 2022, anunciou valores 50% mais elevados em alguns produtos. Estes aumentos anuais tendem a situar-se na ordem dos dois dígitos, mesmo em anos em que a inflação foi negativa".

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Atualmente, as comissões "representam 40% das receitas totais dos bancos", informa a Deco Proteste, que tem denunciado o aumento destes custos. Em 2020, a mesma organização criou a iniciativa "Fim das comissões abusivas para todos os créditos" e conseguiu que, a partir de janeiro do ano seguinte, os contratos de crédito deixassem de estar sujeitos ao pagamento de comissões pelo processamento das prestações.

"A proibição da cobrança deste encargo permitiu que os consumidores poupassem um total de 15,6 milhões de euros em comissões, considerando que foram celebrados cerca de 705 mil novos contratos de crédito ao consumo ou à habitação em 2021", contabilizou a organização. De referir que só os contratos assinados a partir de 2021 estão protegidos desta comissão. Os créditos anteriores continuam a pagar uma média de 2,65 euros mensais de comissão, num valor que "aumentou 55% nos últimos oito anos".

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