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Dádivas de sangue baixam: grupo A é o mais afetado

Dádivas de sangue baixam: grupo A é o mais afetado

As dádivas de sangue estão a baixar e os grupos sanguíneos mais afetados são o A+, A-, O- e B-, que têm reservas para entre quatro e cinco dias, segundo dados do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

Esta terça-feira, as reservas de sangue do IPST situam-se entre os quatro e dezanove dias para alguns grupos sanguíneos. O sangue A+, o mais prevalente na população portuguesa, é o mais afetado, com reserva para apenas até quatro dias. Os grupos O-, dador universal (que pode dar para qualquer grupo de sangue), A- e B- têm reserva para até cinco dias. Se forem consideradas as reservas dos hospitais, o grupo A+ tem reservas para doze dias, os grupos A- e O+ têm para vinte dias, e o grupo O- tem reserva para vinte e cinco dias.

No Porto, os dadores registados no IPST estão a receber convocatórias para se deslocarem às unidades habituais de dádiva ainda esta semana.

Em resposta ao JN, o IPST garantiu que a atividade de recolha nos três centros de sangue do IPST estão a decorrer "em conformidade com o planeamento previsto face à situação covid-19", e todos os "requisitos de segurança" estão a ser cumpridos.

Quebras de 60% face ao ano passado

Desde o início do ano, os registos até dia 17 apontam para uma diminuição no número de dádivas, chegando a haver dias com uma quebra de 60,7% face ao mesmo dia do ano passado (no dia 12, por exemplo, houve apenas 289 dádivas contra 735 no mesmo dia de janeiro de 2020). No dia 5 foi registado um mínimo de apenas 240 dádivas, o que representa um decréscimo de 57,9% em relação às 570 do mesmo dia de 2020.

Segundo o IPST, no ano de 2020 registou-se um decréscimo de 5,6% no número de colheitas relativamente a 2019. Em abril foi registado o maior decréscimo do ano, com uma diferença de 36,9% em relação ao período homólogo de 2019.

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Álvaro Beleza, diretor do serviço de sangue do Hospital Santa Maria, alertou, na passada segunda-feira, na SIC Notícias, para a escassez nas reservas de sangue, uma situação que o profissional descreve "como nunca tinha visto". Segundo estudos apontados por Álvaro Beleza, as pessoas de sangue tipo A, o grupo mais afetado pela escassez, podem sofrer mais complicações relacionadas com a covid-19. O profissional alertou que no maior hospital de Lisboa há apenas "um décimo daquilo que precisávamos para o grupo A".

Dadores fazem apelo

A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) apelou, em comunicado, a que "todos os dadores saudáveis, nomeadamente os mais jovens" procedam à dádiva de sangue. A FEPODABES relembrou que "a dádiva de sangue está prevista nas exceções ao confinamento", e que a recolha de sangue nos estabelecimentos de saúde "é feita com toda a segurança". Segundo Alberto Mota, presidente da direção da FEPODABES, a instituição garantiu que "em todas as recolhas de sangue estão a ser rigorosamente adotadas as regras que garantem a segurança dos dadores".

Segundo a FEPODABES, a recolha de sangue é um procedimento que demora cerca de 30 minutos, e "uma única unidade de sangue pode servir para ajudar até três vidas". A instituição deixou o alerta de que "são necessárias cerca de mil unidades de sangue todos os dias e que a cada dois segundos alguém está a precisar de sangue".

Pode doar sangue quem tenha mais de 18 anos, pelo menos 50 quilos e for saudável, segundo o IPST.

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