Corredor seguro

Decisão do Reino Unido "carece de rigor técnico-científico e de transparência"

Decisão do Reino Unido "carece de rigor técnico-científico e de transparência"

A decisão do Reino Unido de excluir Portugal do "corredor seguro" carece de rigor técnico-científico". Foi a essa conclusão que chegou um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, que considera que o País está a ser prejudicado por "uma métrica".

"Portugal tem bons indicadores de risco epidemiológico em relação à covid-19, um sistema nacional de saúde com boa capacidade de resposta, boas opções de transporte aéreo, rodoviário e ferroviários e é um país democrático, de direito, onde se cumpre a lei e a ordem", sintetizam os autores de um estudo do Centro de Investigação em Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa.

Por isso, segundo os investigadores Vasco Ricoca e Alexandre Abrantes, a decisão do Reino Unido de excluir Portugal da lista dos 14 países que constam do "corredor seguro" e que não obrigam a quarentena no regresso de turistas ingleses à sua terra natal, "carece de rigor técnico-científico e de transparência" .

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"A situação epidemiológica da covid-19 em Portugal e a posição do país em cada uma das áreas não justifica a exclusão de Portugal dos corredores turísticos do Reino Unido", sustentam, apontando, por exemplo, que a situação mais dramática reside em 19 freguesias da Grande Lisboa, fora das zonas turísticas.

Para os investigadores, "interpretar valores de incidência de casos reportados sem considerar outros indicadores de risco epidemiológicos, a distribuição geográfica e sem considerar que diferentes países detetam diferentes percentagens do total real de casos, é errado e levou à adoção se políticas desadequadas que, sem contribuir de forma relevante para prevenir a transmissão, têm consequências negativas a nível sócio-económico, político e diplomático".

"A análise do risco epidemiológico da covid-19 deve incluir um conjunto de outros indicadores, nomeadamente a sub-detenção de casos, a política de testagem, a gravidade dos casos, medida pelas taxas de mortalidade e de internamento e a distribuição geográfica dos casos", sustentam ainda Vasco Ricoca e Alexandre Abrantes.

Sublinhando desconhecerem com rigor os critérios por trás da decisão do Reino Unido, os investigadores concluem que Portugal está a ser prejudicado "por uma métrica", ou seja, pela "incidência de COVID-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias", que não reflete corretamente a gravidade da epidemia no país e que traz graves consequências económicas e sociais".

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