O Jogo ao Vivo

Astronomia

Descoberto o maior grupo de planetas errantes da galáxia

Descoberto o maior grupo de planetas errantes da galáxia

Uma equipa de investigadores descobriu pelo menos 70 novos planetas errantes, o maior grupo já descoberto na nossa galáxia. Com uma massa semelhante à dos planetas do nosso sistema solar, o que os distingue é não orbitarem nenhuma estrela, vagueando por si próprios. A descoberta foi feita através dos vários telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO).

Os planetas descobertos pela equipa têm massas comparáveis à de Júpiter e localizam-se numa região de formação estelar próxima do nosso sol, na direção das constelações de Escorpião e Ofiúco, revela a ESO Portugal em comunicado.

Estes planetas, também chamados de nómadas ou livres, são mais difíceis de identificar porque se encontram longe de qualquer estrela que os ilumine. Margarida Serote, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, explicou ao JN que "normalmente os planetas formam-se em órbita de estrelas, no chamado disco protoplanetário que é os restos de matéria que a estrela não usou para a sua formação. Estes restos vão-se juntando em planetas, maiores ou menos pequenos, e em órbitas bem determinadas. Como o disco está em rotação em torno da estrela e geralmente num plano, devido à gravidade, os planetas companheiros formam-se geralmente em órbitas colocadas num mesmo plano e com a mesma direção de rotação".

"Nos últimos anos descobriram-se planetas sem estrelas, o que de repente foi algo estranho para os astrónomos", prosseguiu.

Grande entusiasmo

Até agora, não se conheciam muitos desses planetas por serem mais difíceis de observar. "Não sabíamos quantos planetas esperar e estamos muito entusiasmados por termos encontrado tantos!", disse Núria Miret-Roig, astrónoma no Laboratoire d'Astrofhysique de Bourdeauz, França, e na Universidade de Viena, Áustria, e primeira autora do novo estudo publicado esta quarta-feira na "Nature Astronomy".

A observação dos planetas errantes foi possível pois, mesmo alguns milhões de anos após a sua formação, ainda estão suficientemente quentes para brilharem, o que os torna detetáveis pelas câmaras sensíveis dos grandes telescópios. "Medimos os movimentos minúsculos, as cores e as luminosidades de dezenas de milhões de fontes numa enorme área do céu", prosseguiu Miret-Roig "Estas medições permitiram-nos identificar de forma segura os objetos mais ténues desta região, os planetas livres".

PUB

O estudo desses planetas permitirá aos investigadores ter pistas de como é que se formam. "Há essencialmente duas hipóteses" de formação dos planetas, explica Margarida Serote. "Ou se formam normalmente e depois por algum processo dinâmico foram arrancados ao seu sistema, tendo ficado a vaguear, ou formaram-se a partir de uma nuvem molecular que não tinha massa suficiente para dar origem a uma estrela e por isso formaram-se apenas corpos celestes que não brilham, ou seja, planetas". Como "nunca se tinham descoberto tantos ao mesmo tempo poderá indicar que se formaram em conjunto numa nuvem molecular", explicou.

Descobertos pelo brilho

Foi através do brilho dos planetas, relacionado com a sua idade, que a equipa conseguiu distinguir os planetas errantes, ainda que tenham detetado pelo menos 70 podem ser até 170. "Poderão existir vários milhares de milhões destes planetas gigantes que vagueiam livremente pela Via Láctea sem estrela hospedeira", afirmou a astrónoma Miret-Roig.

Quanto mais velhos forem, mais tempo estão a arrefecer e, consequentemente, a diminuir de brilho. "Para que um corpo brilhe tem que ter uma massa suficientemente grande para que a gravidade possa fazer com que ocorram reações termo-nucleares no seu interior, acendendo-se assim uma estrela. Se a gravidade foi demasiado pequena, formam-se os planetas", concluiu Margarida Serote.

Os dados foram recolhidos durante 20 anos, com o uso de vários telescópios do ESO, localizados no deserto chileno do Atacama, em conjunto com o satélite Gaia da Agência Espacial Europeia. O projeto teve o financiamento do Conselho Europeu de Investigação (ERC) no âmbito do programa de Inovação e Investigação da União Europeia Horizonte 2020 e do estado francês enquadrado no programa "Investimentos para o Futuro".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG