O Jogo ao Vivo

Saúde mental

Desempregados e alunos são os que mais pedem apoio psicológico ao SNS

Desempregados e alunos são os que mais pedem apoio psicológico ao SNS

No primeiro mês de funcionamento, a Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 atendeu 6761 chamadas.

Destas, 741 pertenceram a profissionais de saúde, mas são os desempregados e os estudantes quem mais ajuda psicológica pede. Dados dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), disponibilizados ao JN, mostram uma média de 233 atendimentos diários. A 13 de abril bateu-se o recorde: 334 atendimentos.

As chamadas estão muitas vezes "relacionadas com situações de stress, ansiedade e pedidos de esclarecimentos" sobre, por exemplo, questões ligadas à "incerteza sobre a situação laboral ou à duração do isolamento social", no âmbito da pandemia por covid-19, revelou esta entidade.

Os dados estão em linha com os resultados dos estudos sobre a saúde mental dos portugueses que têm vindo a ser divulgados.

Entre os mais recentes estão os dados preliminares de uma investigação que ainda está a ser realizada por psiquiatras do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, sobre o impacto do isolamento na saúde mental e que envolve 1626 pessoas.

Henrique Prata Ribeiro, um dos autores, explicou ao JN que "ainda não se pode falar em agravamento", mas que há grupos estudados "que têm resultados piores que outros".

Alunos afetados

Uma das conclusões desta análise preliminar é a de que "trabalhar no domicílio parece ter menos impacto na saúde mental do que não trabalhar ou trabalhar presencialmente". Por grupo profissional, os desempregados são os que apresentam níveis mais elevados de sintomas depressivos, ansiedade e insónia.

Uma conclusão mais surpreendente foi sobre o grupo dos estudantes que aparecem logo a seguir aos desempregados na prevalência de sintomas. O investigador aponta como explicação possível o facto de estes, principalmente os universitários,"estarem há mais tempo sem aulas" e por serem pessoas mais ativas que viram os efeitos da pandemia terem "maior interferência" no seu dia a dia.

Apesar de estar previsto que o estudo continue por mais algum tempo, os autores optaram por revelar estes dados por considerarem que o tempo de atuação é "importantíssimo".

Na opinião do médico, o mais importante "é dizer às pessoas que os cuidados de saúde se mantêm abertos, a psiquiatria continua a dar consultas e tem, em todo o país, urgências 24 horas para as situações mais graves".

Impacto na população

Outro estudo, que mediu as consequências psicológicas da pandemia na população, revelou que quase metade (49%) dos inquiridos sente um impacto "moderado a severo" no seu dia a dia.

O trabalho do Instituto de Psicologia Clínica e Forense, em colaboração com as universidades de Aveiro e a Autónoma de Lisboa, que envolve dez mil pessoas, concluiu que a ansiedade e a depressão atingem mais as mulheres, tal como os trabalhadores presenciais.

Em comunicado, os investigadores explicam que identificaram vários fatores de risco e a necessidade de dar mais atenção às mulheres, desempregados e pessoas com menos escolaridade, entre outros.