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Igualdade de género

Diretiva sobre linguagem inclusiva é "disparate", dizem oficiais das Forças Armadas

Diretiva sobre linguagem inclusiva é "disparate", dizem oficiais das Forças Armadas

A diretiva do Ministério da Defesa sobre a "utilização de linguagem não discriminatória" pelas Forças Armadas está a causar mal-estar entre os militares, e a associação que representa os oficiais afirma mesmo que a orientação emanada pela Secretaria-Geral "é um disparate".

"Havendo tantos problemas para tratar [nas Forças Armadas], o ministério faz sair uma diretiva que diz que não se pode dizer "candidato", mas "pessoa que se candidata"", diz, ao JN, o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), tenente-coronel António Mota, sublinhando que "nas Forças Armadas não há, desde sempre, qualquer diferenciação nas funções, tratamento ou vencimento" entre homens e mulheres.

Datado do passado dia 18 e assinado pelo secretário-geral do Ministério da Defesa João Ribeiro, o documento, a que o JN teve acesso, refere que as "orientações aplicam-se a todos os documentos oficiais", cuja redação deve passar a "recorrer a estratégias alternativas", como "a substituição por termos neutros".

Entre os exemplos apontados está a substituição de "nascido em" por "data de nascimento"; "o interessado" por "a pessoa interessada", "os políticos" por "a classe política" ou "o requerente" por "quem requer". Também se sugerem "soluções alternativas", como "boas vindas a todas as pessoas" em vez de "sejam bem-vindos" e "foi salientada a importância de" em lugar de "os ministros salientaram que importa...". Aponta-se ainda a necessidade de usar "formas duplas", como: "estas instalações destinam-se a alunos e alunas do primeiro ciclo".

Também a comunicação oral é alvo das mesmas recomendações, sendo que a Secretaria-Geral acrescenta ainda que a oralidade "muitas vezes, descreve as mulheres de forma não valorativa ou mesmo depreciativa, até quando usada para insulto a homens, referindo-se, a título de exemplo, as expressões: «deixa-te de mariquices» ou «pareces uma menina, porta-te como um homem»".

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