Educação

Diretores temem agravamento da falta de professores

Diretores temem agravamento da falta de professores

Paula Barata faz diariamente 370 quilómetros para ir dar aulas, gasta o salário em gasóleo e portagens. Não é caso único no país. Diretores e sindicatos estão preocupados com o impacto dos aumentos do preço dos combustíveis por muitos professores estarem colocados longe de casa. E temem que o desgaste e a "despesa incomportável" façam disparar o absentismo e a recusa de horários.

Paula Barata vive na Guarda e dá aulas em Abrantes. Tem duas filhas. Em fevereiro, gastava em média 120 euros por semana em gasóleo. Agora são 160 euros. E o valor só não é muito superior porque integra um grupo de 11 professores da Covilhã e Castelo Branco que se revezam nas boleias e partilham despesas. São todos contratados e dois terminam o contrato em breve, podendo a despesa passar para cerca de 250 euros, se não houver novos aumentos. Ganha 1125 euros.

Paula acredita que pode entrar nos quadros em setembro, graças ao preço que pagou por anos longe de casa. Os colegas de boleia, diz, pensam deixar de concorrer para longe. "Abrantes vai perder boa parte dos professores", alerta.

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"Questiono-me se fiz a opção certa. Sinto-me muito desmotivada e cansada. A escola é um lugar feliz, os miúdos fazem-nos esquecer os problemas mas sei que falho com as minhas filhas", assume Paula Barata.

Sónia Guedes vai de Felgueiras para Ovar e faz cerca de 170 quilómetros por dia. Há duas semanas enchia o depósito com 75 euros; agora são 120 euros, a que acrescem 55 euros por semana em portagens. São 700 euros por mês, 70% do seu salário. "Decidi apostar no ensino e ganhar tempo de serviço. Mas sinto vergonha de todos os meses pedir dinheiro emprestado aos meus pais. Não sei até quando vou conseguir andar na estrada para dar aulas", admite Sónia Guedes.

Muitos dos professores de Cinfães fazem mais de 150 quilómetros por dia, garante o diretor e presidente da associação de dirigentes (ANDE). A subida do preço dos combustíveis e do nível de vida é, por isso, o "principal tema de conversa na sala de professores", assegura Manuel Pereira, assumindo que até docentes do quadro confessam "estar no limite". "O problema está a agudizar-se cada vez mais", afirma. O presidente da associação de diretores (ANDAEP), Filinto Lima, frisa que a dificuldade no preenchimento de horários se "generalizou ao país".

Na semana passada, estavam por preencher cerca de 400 horários em oferta de escola, o que equivale, de acordo com contas da Fenprof, a 25 mil alunos sem todos os professores. Numa carta enviada ao primeiro-ministro, a Fenprof pede um subsídio, provisório, correspondente ao aumento dos combustíveis. O JN interpelou os ministérios da Educação, Economia e da Modernização Administrativa e não obteve resposta.

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