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Eleitores socialistas querem PS a apoiar Marcelo

Eleitores socialistas querem PS a apoiar Marcelo

Maioria dos portugueses (71%) concorda com a ideia sugerida por António Costa, e que deixaria socialistas sem candidato próprio, revela barómetro da Pitagórica para o JN e TSF. Interesse é ainda maior entre quem vota no PS (85%).

A grande maioria dos portugueses concorda que o PS deve apoiar a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República - são agora 71%, segundo o barómetro da Pitagórica para o JN e a TSF. Entre o eleitorado socialista, esse desejo cresce para os 85%. Quando faltam sete meses para as eleições, a popularidade do presidente continua em alta, com 88% de avaliações positivas.

Foi a 13 de maio passado, durante uma visita à Autoeuropa, que António Costa deu o tiro de partida para a recandidatura de Marcelo a um segundo mandato. O presidente retribuiu o gesto, elogiando a posição do primeiro-ministro na polémica do Novo Banco, que acabara de receber mais 850 milhões de euros. O apoio implícito do líder socialista e consequente gentileza presidencial já fizeram efeito - são agora 99% os eleitores do PS que consideram "boa" ou "muito boa" a atuação do atual inquilino de Belém (95% em abril).

É certo que uma avaliação positiva não representa um voto em urna. Mas o barómetro deste mês acrescentou uma pergunta sobre o apoio socialista à recandidatura de Marcelo e a percentagem de respostas não deixa margem para dúvidas: 71% dos portugueses acham que essa é a melhor solução (74% em abril do ano passado); ainda mais significativo, 85% do eleitorado do PS apoiam a estratégia de Costa (eram 80%).

A recandidatura a um segundo mandato há muito que é vista como praticamente imbatível, logo à primeira volta. O apoio implícito do PS, conjugado com a recusa de correr em pista própria, desfaz qualquer dúvida. Mas também é certo que isso deverá alterar bastante a base de apoio político a Marcelo, que em janeiro de 2016 estava solidamente ancorado à direita. Como também demonstra a sondagem da Pitagórica para o JN e a TSF, essa base está a deslocar-se cada vez mais para a Esquerda.

DIREITA MAIS CRÍTICA

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Esse movimento é desde logo visível na questão sobre o apoio do PS à recandidatura de Marcelo: o entusiasmo dos eleitores mais à Direita é bastante menor do que entre socialistas. Apenas 65% dos que votam no PSD, 62% dos que preferem "outros" (o que inclui os eleitores do Chega e da Iniciativa Liberal), e 57% dos votantes que restam ao CDS concordam com esta espécie de candidato do "bloco central".

Outra forma de detetar que a base de apoio a Marcelo se está a transferir da Direita para a Esquerda é na análise à avaliação do seu mandato. Os eleitores do PS (99%), BE (93%) e CDU (88%) destacam-se pela positiva, enquanto os eleitores de "outros" (25%), PSD (23%) e CDS (23%) lideram pela negativa.

Um presidente assim valorizado acarreta várias consequências para candidatos alternativos. É uma boa notícia para os corredores mais à Direita - como André Ventura, do Chega (já confirmado), ou Adolfo Mesquita Nunes, do CDS (uma possibilidade) -, com espaço e eleitores para disputar. É uma má notícia para eventuais corredores à Esquerda, seja a socialista Ana Gomes (apenas 6% dos eleitores do PS admite um candidato próprio) ou um operacional do PCP ou do BE. Neste espectro político parece haver cada vez menos espaço para respirar.

CONFIANÇA NO PRESIDENTE

Quando se pede aos portugueses para escolherem entre Costa ou Marcelo, o presidente leva claramente a melhor: 34% contra 13% que optam pelo primeiro-ministro. É uma diferença de 21 pontos, mas nunca foi tão baixa, em mais de um ano de barómetros da Pitagórica.

Curioso é notar que António Costa não vence nem entre os eleitores do PS: 18% para cada um. Os que mais confiam no líder socialista são os eleitores do BE (32%).

Exceção jovem

Os eleitores mais jovens são a exceção na defesa de um apoio do PS à recandidatura de Marcelo: apenas 50% estão de acordo. Nas restantes faixas etárias, essa solução regista valores sempre acima dos 70 pontos percentuais.

Sobram 6% no PS

Apenas 6% dos eleitores socialistas admitem que o PS apoie um candidato alternativo a Marcelo. Mesmo entre os que preferem votar no PSD é uma solução apoiada por escassos 18%.

Mais velhos

A popularidade do presidente é elevada em todos os segmentos da amostra. Mas destacam-se, ainda assim, os que têm mais de 65 anos (91%), os que estão no fundo da escala de rendimentos (94%) e os que vivem no Grande Porto (91%).

Norte desconfia

Os principais detratores do atual inquilino de Belém, sendo escassos, concentram-se sobretudo na faixa etária dos 55 aos 64 anos (15%), na classe média alta (17%) e nas regiões do Norte e do Centro do país (14%).

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