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Berlim compra 6000 casas para travar aumento das rendas

Berlim compra 6000 casas para travar aumento das rendas

O governo regional de Berlim vai investir cerca de 920 milhões de euros para adquirir quase 6000 casas que, em tempos, foram construídas como habitação social, mas que, entretanto, passaram para as mãos de privados e são agora propriedade de uma imobiliária.

Esta é uma medida drástica para tentar travar o aumento desenfreado das rendas na capital alemã, que, só desde 2017, aumentaram em mais de 20% e desde 2004 subiram qualquer coisa como 120%.

Esta não é a primeira vez que as autoridades políticas alemãs intervêm no mercado imobiliário. Em junho, o governo regional aprovou o congelamento de rendas por um prazo de cinco anos, a partir de 2020, mas com efeitos retroativos a 18 desse mês, para evitar que os senhorios aumentassem as rendas antes da entrada em vigor da lei.

Katrin Lompscher, ministro regional da Habitação e Desenvolvimento Urbano, explicou que, com a compra agora anunciada de 5894 unidades residenciais e 70 comerciais em Spandau [sudoeste da cidade] e Reinickendorf [nordeste]", "não é possível emendar os erros do passado", mas é uma maneira de dar aos inquilinos "a segurança que perderam durante a privatização".

A medida não é pacífica e tem merecido críticas da oposição ao governo regional, de centro- esquerda. Os liberais consideram que a mesma não resolve o problema da escassez de habitação, enquanto os conservadores questionam por que a intervenção não foi feita antes, quando os preços estavam mais baixos. Já a extrema-direita diz que é "uma enorme despesa".

Ainda assim, o governo regional decidiu mesmo avançar com a aquisição das 6000 casas, numa negociação conduzida pela Gewobag, uma das empresas municipais de habitação. Paralelamente, o presidente da Câmara Municipal de Berlim, Michael Müller, anunciou, no início do ano, que a Autarquia iria continuar a comprar casas onde é financeiramente possível e faz sentido estabilizar as rendas.

Berlim, com 3,6 milhões de habitantes, enfrenta a maior crise habitacional desde a década de 1920, quando as pessoas alugavam camas para dormir em turnos porque não podiam pagar um quarto.