Reportagem

Lojas sem funcionários vão mudar as rotinas das cidades

Lojas sem funcionários vão mudar as rotinas das cidades

Espaços com máquinas de bebidas e produtos alimentares e lavandarias self-service foram pioneiros, mas, hoje, até já se testam lojas que se deslocam e vão ter com o cliente. Depois do Japão e Estados Unidos, o conceito está a chegar à Europa. A revolução vai mexer com os hábitos das famílias.

Fazer compras a qualquer hora ou dia da semana, entrando em lojas através de códigos enviados para um smartphone, escolher os produtos e sair sem passar por uma registadora. O que até há muito pouco tempo parecia ficção científica é já uma realidade. Primeiro chegaram os pequenos espaços com máquinas "vending" de bebidas e produtos alimentares, como a "Grab&Go", depois vieram as lavandarias automáticas e os alugueres de carros, bicicletas ou trotinetes por telemóvel. Comprar ou contratar serviços sem a presença humana é uma tendência que vai crescendo gradualmente nas grandes cidades e a tecnologia não para de surpreender. Recentemente, na cidade chinesa de Xangai, foi mesmo testado um modelo de loja que vai ter com o cliente ao sítio a partir do qual este a requisita.

Mas se estas inovações têm tido o seu berço natural em países asiáticos e nos Estados Unidos, e assentam, maioritariamente, no ramo alimentar, a verdade é que se assiste a uma expansão para a Europa, onde o conceito se alarga a outros setores de atividade. Um dos exemplos mais recentes está mesmo aqui ao lado, em Madrid, onde um empresário de decoração inaugurou, em novembro, a primeira loja de móveis do Mundo sem qualquer empregado.

"O cliente preenche um formulário online e recebe um código por WhatsApp quando está a menos de 10 metros da loja, que lhe permite entrar. Aí, pode ter contacto físico com todos os nossos produtos e, em caso de dúvida, tem um ecrã tátil, onde pode ser esclarecido, ou contactar-nos por vídeo chamada, se achar que precisa de uma explicação mais personalizada", explica ao JN Urbano, Miguel Angel Lopez, CEO de #tudecora_open.

Para o empresário, este não é um modelo que ameace empregos. "O posto de trabalho só é transformado. Nós continuamos a atender o cliente, apenas o fazemos por vídeo chamada. Os empregos adaptam-se às novas tendências de compra", sublinha quando confrontado com as preocupações que se ouvem sobre a eventualidade deste modelos de venda impessoais poderem contribuir para novas vagas de desemprego.

Miguel Angel destaca que, pelo contrário, este é um modelo que permite "conciliar vida familiar com trabalho". "Eu estou em casa, mas estou a trabalhar. Só que posso estar no meu sofá, ou no jardim com os meus filhos, e a atender os clientes", explica.

A verdade é que, em cinco meses, a experiência da Tudecora.com tem sido positiva e com "muito bom feedback", assegura Miguel Angel. "Através da inovação fazemos com que o cliente tenha novas experiências na loja para melhorar os resultados do empresário", resume.

No caso da loja madrilena, o impacto tem sido tão grande, que Miguel e os três sócios lançaram uma plafatorma online de consultadoria, a https://www.retailexperience.es/, que disponibiliza aconselhamento a outras empresas, que queiram abrir lojas a funcionar no mesmo modelo.

A inovação não pára de surpreender e alguns modelos prometem mesmo revolucionar a vida das famílias nas cidades e não só nas grandes urbes. Recentemente, em Xangai, na China, foi testado um modelo que se prepara para ser comercializado em algumas cidades mais pequenas, de uma loja de bebidas e alimentos aberta 24 horas e que se pode deslocar como um veículo autónomo até ao ponto a partir do qual o cliente a chama. O protótipo pode ser visualizado em https://themobymart.com.

A nível do setor alimentar, e em espaços de grande escala, tudo começou no ano passado quando a Amazon Go inaugurou na cidade norte-americana de Seatle a sua primeira loja totalmente autónoma. Aqui, à entrada, o cliente passa o telemóvel por um sensor e, a partir desse momento, as dezenas de câmaras instaladas seguem todos os seus movimentos. Aquilo que cada um escolhe é registado pelas máquinas e basta sair da loja para que a sua conta Amazon seja automaticamente debitada.

A diversificação acontece também num café de Tóquio inaugurado em dezembro, onde os clientes são servidos por robôs, que, por sua vez, são controlados à distância por pessoas com condições físicas limitadas ou algum tipo de deficiência.

Apesar de reduzir os contactos sociais, os defensores destes espaços destacam que permitem uma maior liberdade de escolha. Deixa de haver horários rígidos e cada um escolhe o período que mais lhe convém