Conferência

"Este é o mês mais crítico da pandemia. Não podemos vacilar", diz Governo

"Este é o mês mais crítico da pandemia. Não podemos vacilar", diz Governo

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou esta sexta-feira, em conferência de imprensa, que este é o "mês mais crítico da pandemia" e que os portugueses "não podem vacilar".

No início da conferência de imprensa diária de atualização de informação relativa à pandemia de ​​​​​​​Covid-19 em Portugal, António Lacerda Sales confirmou os 9886 casos de infeção, mais 852 do que na quinta-feira, o que representa uma subida de 9,4%. Lamentou ainda as 246 vítimas mortais, mais 37 nas últimas 24 horas, um aumento de 18%. Há ainda 68 casos recuperados.

O secretário de Estado informou ainda que a taxa de letalidade global é de 2,5% e, acima dos 70 anos, é de 10,2%.

"Estamos no mês mais crítico desta pandemia. A renovação do estado de emergência obriga-nos a um esforço adicional. Não podemos vacilar. Não podemos baixar a única defesa que temos no combate à epidemia, que é a contenção social", disse o secretário de Estado. "Sabemos que a aquisição permanente de equipamento é crucial. Por isso, está prevista a chegada faseada de 24 milhões de máscaras cirúrgicas até ao final de abril".

Analisadas 86 mil amostras num mês

António Sales lembrou ainda que o aumento da testagem e deteção de casos de infeção continua a ser a prioridade do Governo e referiu que desde 1 de março até 1 de abril foram analisadas 86 mil amostras. "Só no dia 1 de abril foram processadas 7900 amostras", referiu, acrescentando que aumentou a capacidade de resposta e que tem de aumentar o tempo de resposta dos laboratórios convencionados.

O secretário de Estado assinalou também que a produção interna nacional se tem adaptado às exigências. "Foi emitido um catálogo com as características técnicas do material a produzir, que está no site da DGS e que as empresas podem consultar. Depois, as empresas devem inscrever-se caso queiram produzir. Há já 100 empresas inscritas que aguardam validação das entidades competentes, para que haja segurança na resposta".

Sales garantiu ainda que está a ser dada formação a médicos e enfermeiros para que possam substituir colegas nos cuidados intensivos, caso seja necessário. "Estamos a aproveitar todas as competências".

Testes devem ser feitos no fim da gravidez

A conferência de imprensa contou também com a presença da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. Questionada sobre a possibilidade de fazer um rastreio a todas as grávidas, explicou que deve ser feito um teste quando a gravidez chega ao fim. Se possível, a grávida deve ser encaminhada para uma maternidade ou hospital onde haja complementaridade com serviços como o de infeciologia. As grávidas estão a ser acompanhadas de acordo com as práticas que são consideradas adequadas, com seguimento presencial, sempre que for necessário, e à distância, sempre que for possível. "Não podemos deixar que a situação prejudique o acompanhamento das grávidas", afirmou Graça Freitas.

Sobre a presença de outras pessoas no parto, como o pai, as normas dizem que terá de ser a equipa médica a decidir, caso a mulher tenha Covid-19. Essa será uma decisão clínica dos médicos consoante o espaço e as circunstâncias, evitando que o pai corra o risco de ficar também infetado. "Não queremos que uma criança tenha ambos os pais positivos" com o coronavírus.

Questionada sobre problemas e falta de equipamentos nas áreas dedicadas para avaliação e tratamento de doentes, a diretora-geral da Saúde recordou que estas foram criadas recentemente, mas reconhece que há "assimetrias regionais" e diferentes populações com diferentes características a procurarem estes serviços. No entanto, há uma "melhoria contínua" nessas áreas desde 26 de março, sendo importante a utilização da plataforma TraceCovid.

O secretário de Estado da Saúde aproveitou também para assinalar que tem havido uma "melhoria contínua" do SNS24, que na quinta-feira recebeu mais de 19 mil chamadas, com um tempo de espera médio de perto de cinco minutos. Por sua vez, a linha TraceCovid teve um total de 71.960 profissionais a trabalhar, 54.787 utentes, 28.157 em vigilância.

Utilização de máscaras: "Não há nenhuma medida milagrosa"

Graça Freitas também comentou a falta de consenso relativamente à utilização de máscaras de proteção, dizendo que Portugal está alinhado com o que é definido pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças. "Nós temos dito sempre que Portugal está alinhado com as indicações das autoridades internacionais de saúde. Tudo o que dissemos foi em linha com o que indicaram essas autoridades. Sempre dissemos também que se houvessem novas evidências as seguiríamos. Nenhuma medida isolada é a medida milagrosa".

A diretora-geral da Saúde explica que não existe até ao momento "uma única medida que seja completamente eficaz" e que só se consegue "baixar a curva" com um conjunto de medidas e recomendações. "Seja qual for a recomendação, será sempre um conjunto de recomendações", acrescentou.

"Não há necessidade para cerca sanitária no Porto"

O tema da cerca sanitária no Porto voltou a ser discutido, com o secretário de Estado a voltar a afirmar que "não há neste momento necessidade" de uma medida dessas.

Já Graça Freitas explicou que a questão da cerca sanitária do Porto foi apresentada, no início da semana, meramente como um equacionar de medidas e não como uma adoção de novas medidas. "A palavra usada foi equacionar".

A diretora-geral da Saúde explicou que a situação epidemiológica de cada zona do país é avaliada diariamente e que os responsáveis de saúde avaliam qual é a situação de contágio, propagação de doença e número de doentes infetados. "Essa avaliação do risco é feita em relação a uma população por parte das autoridades de saúde, mas não são estas últimas que determinam cercas sanitárias".

Situação nos lares "priorizada" desde o início

Sobre a situação nos lares de idosos, Graça Freitas garantiu que a intervenção das autoridades de saúde junto destas instituições vem desde o início do surto e que a situação está a ser "priorizada" desde essa altura. "Desde o início que dissemos que para entrar num lar um novo utente tem de fazer um teste e depois disso ainda tem de entrar em quarentena". Também os funcionários devem testados. Utentes e funcionários devem ser isolados "ao mínimo sintoma" ou suspeita de infeção.

A diretora-geral da Saúde referiu ainda que, em média, oito dias separam a data de início dos sintomas e a morte do doente. A mediana dos óbitos nas mulheres é de 85 anos, enquanto nos homens é de 80 anos. Grande parte dos doentes que chegam aos cuidados intensivos tem, além do fator idade, uma ou mais doenças. As doenças mais frequentes são as do aparelho cardiocirculatório, doenças respiratórias, diabetes, doença renal crónica, neoplasias e doenças cerebrovasculares em geral, informou Graça Freitas.

"No conjunto destas doenças, uma determinada pessoa tem maior probabilidade de desfecho negativo", assumiu, sublinhando que, no entanto, "muitos idosos com mais de 80 anos e com mais doenças felizmente recuperaram e tiveram alta".

"A taxa de mortalidade nos idosos não é de 100 por cento. É inferior a 10 por cento. Não é nenhuma fatalidade ser idoso e ter doenças, é apenas um aumento do risco", concluiu.

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