Covid-19

Fármacos do ébola e da malária são a maior esperança a curto prazo

Fármacos do ébola e da malária são a maior esperança a curto prazo

Antimalárico já é usado no SNS em doentes com Covid-19. Investigadores de Oxford planeiam administração a profissionais de saúde. A vacina vai demorar.

Apanhou o Mundo de surpresa e está a pôr a comunidade científica de nervos em franja. O novo coronavírus tem características únicas e já mostrou ser muito mais rápido do que a ciência. Ainda assim, nos últimos dois meses e meio houve descobertas importantes que podem vir a mudar o curso de uma pandemia que ameaça roubar dezenas de milhares de vidas.

A solução para erradicar a Covid-19 passa por uma vacina, mas o processo é moroso e a maioria dos investigadores duvida que chegue ao mercado antes de 2021.

Muito mais provável é que, antes da vacina, surjam fármacos já usados noutras doenças que sejam capazes de travar o desenvolvimento da Covid-19 nos infetados e, porventura, de encurtar os períodos de contágio (incubação). Carlos Martins, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e especialista em Medicina Baseada em Evidência, realça que, neste momento, as atenções estão viradas para o Remdesivir, um antivírico usado no tratamento do ébola e que já demonstrou eficácia para o atual vírus em estudos laboratoriais in vitro e para outros coronavírus em testes em animais.

"Já estão a ser feitos testes em doentes e aguardamos ansiosamente pelos resultados, que deverão ser conhecidos na primeira quinzena de abril", referiu Carlos Martins, também médico e investigador do Cintesis.

DGS atenta às novidades

Há, inclusive, relatos de que este antivírico foi usado em doentes do cruzeiro Diamond Princess e que "terá tido resultados positivos num grupo restrito", acrescenta. A vantagem é que se vier a demonstrar eficácia contra o novo coronavírus não será difícil aprová-lo, porque já é usado em humanos, explica o docente.

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Os fármacos usados no tratamento do VIH também foram testados para o novo coronavírus, mas os ensaios clínicos trouxeram "más notícias", nota o docente. Há ainda investigações em curso com antimaláricos "mas é necessário esperar pelos resultados", realça.

A diretora-geral da Saúde já confirmou que os esquemas terapêuticos usados nos hospitais portugueses incluem antimaláricos e antiretrovirais. Graça Freitas assegurou que as autoridades de saúde "estão atentas" ao que se passa nos outros países e aos medicamentos que estão a dar melhores resultados.

Maria Mota, investigadora e diretora do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, e especialista na investigação da malária, referiu ao JN que vários estudos muito recentes parecem evidenciar a capacidade da cloroquina de atuar contra infeções por SARS-CoV-2, a causa da doença Covid-19.

Os resultados têm sido encorajadores mas, alerta, "serão necessários ensaios clínicos maiores para determinar a verdadeira eficácia do medicamento". A investigadora adianta que a Universidade de Oxford planeia administrar o medicamento como profilático a dez mil profissionais de saúde e outros com alto risco de contrair a Covid-19.

Contudo, o fármaco "é potencialmente perigoso quando usado em altas doses ou por períodos prolongados. Pode causar cegueira permanente e até morte", avisa a investigadora Maria Mota.

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