Sondagem

Forças e fraquezas dos partidos para a reta final de campanha

Forças e fraquezas dos partidos para a reta final de campanha

A mais recente sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF permite decifrar alguns dos altos e baixos, forças e fraquezas dos diferentes partidos, através da análise aos diferentes segmentos da amostra (geografia, género e faixa etária). Com um alerta: estes servem sobretudo para avaliar tendências, mais do que projetar resultados.

PSD, Rui Rio (34,4%)

Com a exceção do Porto, que nesta sondagem prefere os socialistas, o PSD progride em todas as regiões. Com destaque para o Norte (reforça a liderança) e para o Sul do país (que inclui as ilhas), que "rouba" ao PS. Nota também para a região de Lisboa, uma vez que os sociais-democratas ficam a escasso ponto e meio do PS, num terreno que até aqui era bastante hostil a Rui Rio. No que diz respeito ao género, e comparando as duas últimas sondagens, percebe-se que a subida social-democrata se faz sobretudo à custa do eleitorado feminino. Relativamente às faixas etárias, o equilíbrio é a norma, com a notável exceção dos cidadãos mais velhos: é entre estes que Rui Rio consegue o seu melhor resultado (40,1%), ainda que não o suficiente para destronar António Costa. É neste segmento que o "Bloco Central" tem mais força: oito em cada dez seniores escolhem um dos dois principais partidos.

PS, António Costa (33,8%)

Quando o ângulo de análise é a geografia, os socialistas passam para a frente na Área Metropolitana do Porto, perdem o Sul do país, e continuam a liderar na região Centro e na Área Metropolitana de Lisboa. Mas, nesta última, que inclui os círculos eleitorais de Lisboa (o maior do país) e de Setúbal, a erosão é evidente. É no género que se revela uma das principais reviravoltas desta última sondagem, com António Costa a sofrer uma clara derrota entre o eleitorado feminino. No que diz respeito às faixas etárias, volta a notar-se, como tantas vezes no passado recente, que, quanto mais velho o eleitor, maior é o apoio. Mas também aqui há uma diferença fundamental: os mais velhos (65 ou mais anos), que foram sempre o mais sólido alicerce, já não revelam o mesmo entusiasmo: a vitória ainda é do PS, mas por escassas duas décimas.

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Chega, André Ventura (8%)

A escassos dias das eleições, uma das características do Chega é o apoio transversal a quase todos os segmentos (há exceções). Na Área Metropolitana de Lisboa volta a ser o terceiro partido mais votado, com uma vantagem razoável sobre todos os outros (poderia eleger cinco deputados só no círculo de Lisboa). André Ventura também continua forte na região Norte e, pelo menos desta vez, supera as dificuldades que eram habituais na Área Metropolitana do Porto. Só cede o terceiro lugar na região Centro (para o BE) e no Sul (para a CDU). Como habitualmente, os homens estão em maioria (um pouco mais do dobro que as mulheres). No que diz respeito às faixas etárias, o maior núcleo de apoiantes volta a ser o dos que têm 35 a 49 anos. Dificuldade maior só entre os mais velhos, como também é habitual.

BE, Catarina Martins (6,6%)

A Área Metropolitana do Porto volta a ser o terreno mais amigável para Catarina Martins nesta sondagem final da Aximage para o JN, DN e TSF, ainda que haja uma tendência de queda relativamente uniforme em todas as regiões, com o resultado de Lisboa a ficar bastante aquém do conseguido nas últimas legislativas (se perdurar o castigo pode ser pesado em número de deputados) O Bloco de Esquerda é nesta altura o partido com maior pendor feminino: tem quase duas vezes e meia mais eleitoras que eleitores. Como habitualmente, o BE mostra força entre os mais jovens (18 a 34 anos), mas continua muito abaixo da média no escalão seguinte (35 a 49 anos), curiosamente aquele em que o Chega tem mais peso.

CDU, Jerónimo de Sousa (4,5%)

Se os comunistas já denotavam dificuldades nas sondagens quando tinham Jerónimo de Sousa em campanha, pior ficaram quando este saiu de cena, devido a problemas de saúde. A CDU até melhora na Área Metropolitana de Lisboa (que inclui Setúbal), mas ainda está abaixo do resultado conseguido em 2019. O território mais propício continua a ser o Sul do país (terceiro lugar), mas o número de deputados dos círculos alentejanos já está reduzido ao mínimo. O partido com maior pendor masculino nesta altura é a CDU (uma tendência que se vem acentuando nos últimos meses). Outra característica que se mantém imutável é o apoio mais sustentado nos eleitores mais velhos (consegue sensivelmente o dobro do que regista nos restantes escalões etários).

PAN, Inês Sousa Real (3,2%)

O partido animalista e ambientalista parece renascer das cinzas, depois de um longo período de desgaste que se refletiu nas projeções de resultados. Está nesta altura praticamente ao nível do que obteve nas legislativas de 2019 (nessa altura elegeu quatro deputados), e as hipóteses mais sérias de voltar a conseguir um pequeno grupo parlamentar são Lisboa e Porto. O PAN continua a ter um pendor um pouco mais feminino do que masculino, tal como o BE, sendo que ambos são liderados por mulheres. Outra característica que se mantém praticamente imutável é o apoio nos dois escalões mais jovens da pirâmide demográfica, com ênfase nos que têm 18 a 34 anos. Aos mais velhos é que Inês Sousa Real não parece mesmo ser capaz de convencer a votar no PAN.

IL, João Cotrim de Figueiredo (2,8%)

A Iniciativa Liberal continua a perder tração nas sondagens da Aximage (um movimento descendente que se prolonga desde julho do ano passado, altura em que marcava 5,5%). Ainda assim, mantém a força suficiente para subir pelo menos um degrau no Parlamento, uma vez que os liberais parecem encaminhados para eleger pelo menos um deputado em Lisboa e outro no Porto. Para chegar mais longe do que isso terão de captar mais apoio do que o que agora revelam. O partido liderado por João Cotrim de Figueiredo reduziu o pendor masculino, até porque foi entre os homens que perdeu suporte (nas mulheres manteve o patamar anterior). Como habitualmente, é entre os mais jovens que suscita maior apoio.

CDS, Francisco Rodrigues dos Santos (1,6%)

Pode olhar-se para a situação dos centristas através do copo meio vazio (está a perder mais de metade do eleitorado de há quatro anos), ou meio cheio (andou muito tempo reduzido a menos de um ponto percentual). Mas a verdade é que, olhando para os segmentos geográficos, parece bastante seguro dizer, nesta altura, que se arrisca a eleger um único deputado e pelo círculo de Lisboa. Francisco Rodrigues dos Santos ficaria, assim, sozinho no Parlamento. E a julgar pela distribuição etária do apoio aos centristas, muito à custa de um eleitorado mais jovem.

Livre, Rui Tavares (1,4%)

O Livre raramente aparece acima da linha de água (ou seja, acima de um ponto percentual) nas sondagens da Aximage. Mas acontece desta vez, o que só por si já é um bom sinal, uma vez que estamos em vésperas de eleições. O partido não tem historial nos relatórios e é impossível por isso perceber as suas tendências nos diferentes segmentos. O que é possível dizer é que é na Área Metropolitana do Porto e na região Norte que consegue os seus melhores resultados. A manter-se a situação atual, elegeria provavelmente um deputado no círculo do Porto. Nesta sondagem, o eleitorado do Livre revela-se maioritariamente masculino e na faixa etária dos 35/49 anos.

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