20.02.2020

Assembleia da República

"Vida sim, morte não!" no protesto anti-eutanásia à porta do Parlamento

"Vida sim, morte não!" no protesto anti-eutanásia à porta do Parlamento

Decorreu, esta quinta-feira, uma manifestação contra a despenalização da eutanásia, no exterior da Assembleia da República, que hoje vota os cinco projetos de lei sobre a morte medicamente assistida.

"Vida sim, morte não!" foram as palavras de ordem que se fizeram ouvir, ao início da tarde, no protesto anti-eutanásia que juntou algumas centenas de pessoas - incluindo vários jovens e alguns clérigos - e que terminou minutos antes do início da votação no Parlamento, ao som do tema "Um contra o outro", dos Deolinda. Nas mãos, vários manifestantes seguravam cartazes a exibir as frases "e se ajudássemos os outros viver?", "a eutanásia não é um direito" e "matar por compaixão é matar a compaixão".

Na concentração, promovida pela Federação Portuguesa pela Vida, marcaram presença o novo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, a médica e ex-deputada do partido Isabel Galriça Neto e, já no fim, o dirigente do Chega, André Ventura. Embora não tenha discursado, ao contrário do líder centrista, Ventura foi muito aplaudido e requisitado, sobretudo pelos manifestantes mais novos.

"Em todos os países que a legalizaram, abriu-se uma brecha"

"Entendo que, em alguns casos, as pessoas sintam a tentação de colocar fim à vida. O grande problema que temos com a eutanásia é que, em todos os países que a legalizaram, abriu-se uma brecha que, depois, já não se conseguiu parar", argumentou o deputado único do Chega, que chegou ao local só na reta final da manifestação, "para não dizerem novamente que ela foi instrumentalizada". E prometeu que, se alguma lei avançar, o partido vai tentar revertê-la caso consiga "formar uma maioria nas próximas eleições e caso não haja referendo sobre esta matéria".

Ventura ainda considerou "muito triste" que o Parlamento tenha escolhido, para a votação, o dia em que se celebram 100 anos da morte de Jacinta Marto [pastorinha de Fátima], que morreu no hospital D. Estefânia, em Lisboa. "Embora o Estado seja e tenha de ser laico, é um sinal de enorme desrespeito. Jacinta estava a lutar pela vida e, hoje, nós vamos despenalizar quem mata".

Galriça Neto acusa deputados de "esconder" intenções

Em declaração ao JN, Galriça Neto disse que a votação parlamentar "não está legitimada pela vontade popular", lembrando que "187 deputados foram eleitos sem terem declaradamente dito que eram a favor da eutanásia". "Os eleitores não votaram nas consciências dos deputados, mas sim em programas eleitorais. É muito feio esconder do povo aquilo que se pretende fazer, e foi isso que aconteceu na campanha eleitoral", destacou, considerando que a concentração "serviu para mostrar que as pessoas não são tontas, que estão a ver o que se está a passar e que são ludibriadas pelos deputados". "Enquanto ex-deputada, não me revejo nestas atitudes", acrescentou.

A antiga deputada do CDS hoje pode ser o início de um processo e não o fim: "Há muita coisa que poderá acontecer: processos na especialidade, possibilidades de fiscalização, o Tribunal Constitucional e, sobretudo, a força da convicção de que este não é o caminho certo." E voltou a salientar que "a solução para o sofrimento em fim de vida não se obtém através da eutanásia". "Já percebemos que é mais fácil, mais rápido e mais barato legislar para provocar a morte do que para assistir no sofrimento, e isso devia incomodar os portugueses", rematou.

"Não há forma de conciliar, um Estado que cuida e que promove a morte"

Francisco Rodrigues dos Santos, novo líder do partido, segue a mesma linha: "Admitir, neste cenário, que a consciência dos deputados é representativa da vontade da maioria dos portugueses é, no mínimo, uma irresponsabilidade." E é também por isso que o CDS vai viabilizar o referendo, "se essa for a forma de alargar o debate, de promover o esclarecimento e de devolver a palavra aos eleitores".

"Não há forma de conciliar, no plano dos princípios, um Estado que cuida, que protege e que ampara com um Estado que promove a morte", disse, apontando que "mesmo tendo levado à Assembleia da República a votação da eutanásia há menos de dois anos, a maioria dos partidos que a defendem recusou debatê-la em campanha eleitoral, não a inseriu nos seus programas e não quis auscultar, com seriedade, a vontade dos eleitores."

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG