O Jogo ao Vivo

Pandemia

Governo admite confinamento até meio de março

Governo admite confinamento até meio de março

Marta Temido confirmou, esta terça-feira, que o confinamento se vai manter até ao final de fevereiro, admitindo que se possa estender até meio de março.

No final da reunião com os especialistas no Infarmed, a ministra da Saúde sublinhou que, "apesar destas medidas estarem a produzir resultados, é bastante evidente que o atual confinamento tem de ser prolongado por mais tempo. Para já, durante fevereiro; depois será avaliado mas, provavelmente, por um período que os peritos estimaram de 60 dias a contar do seu início". Ou seja, até 22 de março - as escolas fecharam a 22 de janeiro.

Segundo a ministra, os especialistas presentes na reunião indicaram que esse será o intervalo de tempo necessário para reduzir a ocupação dos cuidados intensivos para menos de 200 camas e diminuir a incidência acumulada de casos para 60 por 100 mil habitantes. No entanto, Marta Temido remeteu para mais tarde uma decisão final sobre o prolongamento do confinamento.

A governante falou também de uma "tendência decrescente" do número de hospitalizações, internamentos em cuidados intensivos e mortes, embora a descida destas últimas esteja ainda "numa fase mais atrasada". A R(t) (que mede o número médio de contaminações geradas por cada infetado) está, agora, nos 0,82.

Haverá menos de metade das vacinas esperadas até março

Quanto à vacinação, à única garantia que Marta Temido dá é de que "o Governo fala verdade". A ministra recordou os "constrangimentos" quanto à compra de vacinas a nível internacional, revelando que Portugal contava ter 4 milhões de vacinas neste primeiro trimestre mas, para já, apenas há a "certeza" de que terá 1,9 milhões.

Temido admitiu que existe uma "escassez" de vacinas a nível global. Contudo, sublinhou que os estudos apresentados no Infarmed pelos especialistas dão conta da "confiança" dos portugueses quanto ao processo de vacinação e, em particular, aos efeitos da vacina.

PUB

Na reunião, o novo coordenador do grupo de trabalho para a vacinação, Henrique Gouveia e Melo, revelou que Portugal já recebeu 503 mil vacinas, das quais 400 mil já foram administradas. Um total de 106 mil pessoas já receberam a segunda dose.

Marta Temido vincou ainda que o confinamento também teve impacto na incidência da variante inglesa. Em janeiro, o Instituto Ricardo Jorge tinha previsto que, por esta altura, a referida estirpe fosse responsável por cerca de 65% dos contágios, mas as medidas restritivas fizeram com que não ultrapasse, para já, os 16%.

Carmo Gomes vai deixar de falar nas reuniões

No final da reunião, soube-se que o epidemiologista Manuel Carmo Gomes - que fez uma intervenção bastante crítica das medidas do Governo - deixará de falar nas reuniões do Infarmed. Marta Temido explicou que a decisão se deveu a motivos "da vida profissional" do próprio e, ao Público, Carmo Gomes pediu que não se faça nenhuma "exploração política" do assunto.

O deputado do PSD, Ricardo Batista Leite, elogiou, no Twitter, o contributo "decisivo" do trabalho de Carmo Gomes, agradecendo-lhe o "serviço público" que tem prestado.

Ministra diz que testagem não é "alternativa" ao confinamento

Em resposta às críticas de Manuel Carmo Gomes - que considerou que o Governo tem corrido sempre "atrás da pandemia" e reforçou a necessidade de aumentar a testagem -, Marta Temido referiu que os testes são feitos com base em "critérios técnicos" definidos pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Ao contrário do que defendeu o especialista, a ministra argumentou que o aumento do número de testes não é uma "alternativa" ao confinamento, mas sim "uma medida que ajuda a prevenir um descontrolo da infeção".

Ainda assim, Temido revelou que o Governo tem insistido, junto da DGS, na necessidade de "alargamento" da testagem. Em concreto, a governante pretende que os contactos sejam rastreados "independentemente do grau de risco" e considera esta uma "boa oportunidade" para rever os critérios - até porque, reforçou, as condições de testagem são hoje "muito superiores" do que eram no passado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG