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Covid-19

Governo admite retaliar contra países que proíbem entrada de portugueses

Governo admite retaliar contra países que proíbem entrada de portugueses

O Governo equaciona responder com a mesma moeda aos países europeus que estão a proibir ou a limitar a entrada de portugueses devido à covid-19.

O Governo equaciona responder com a mesma moeda aos 17 países europeus que estão a proibir ou a limitar a entrada de portugueses devido à covid-19. Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), liderado por Augusto Santos Silva, em causa estão decisões que "contrariam flagrantemente" o espírito da União Europeia (UE) e defende que o país está a ser prejudicado pelo sucesso da sua estratégia.

São 14 países da UE, a que se juntam o Reino Unido, a Noruega e a Islândia, que proíbem a entrada de viajantes nacionais e limitam com regras de quarentena obrigatória e testagem. No grupo dos 17 estados, quase todos do Leste europeu e nórdicos, há ainda dois que travam quem chega de territórios com mais de 25 infetados diários por 100 mil habitantes - algo que calça que nem uma luva a Portugal, devido aos focos detetados na Grande Lisboa.

Ao JN, o MNE lamentou que haja países "que, ao arrepio das decisões tomadas pela União Europeia, persistem em manter restrições às ligações aéreas no interior do espaço europeu". Ainda que realce o facto de estados como a Grécia começarem "já a inverter esse caminho", a verdade é que tais impedimentos "contrariam flagrantemente não só o espírito de solidariedade entre países europeus, como também a decisão das instituições europeias de repor a livre circulação no espaço europeu a partir do dia 15 de junho".

"Mantendo-se a atual situação, Portugal reserva-se o direito de aplicar o princípio da reciprocidade", frisou o MNE, que garantiu que tem "chamado à atenção para o facto de estas restrições se basearem apenas num único critério, que diz respeito ao número de novos casos diários de doentes". Ora, se "Portugal tem realizado muito mais testes do que a maioria dos países europeus", de forma "prudente e transparente", o Governo considera que o país está a ser vítima da sua estratégia.

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Discriminação será analisada

Portugal é o país que não barra viajantes de países europeus, ou até do Brasil e dos Estados Unidos. Mas não será isso que estará em causa, apontou Isabel Santos, eurodeputada do PS que confrontou Bruxelas com este cenário. Ao JN, referiu que "a Comissão Europeia avisou que analisará se há discriminação nestes casos". "Quando a Grécia, proíbe Portugal e permite viajantes da China e Coreia, é um paradoxo", disse, criticando "a análise simplista dos números, quando a capacidade de testagem nos países não é a mesma".

Segundo José Filipe Pinto, especialista em Ciência Política, "a diplomacia deve ser mais interventiva e esclarecedora". Mas admite que, "mais do que questões sanitárias, em causa estão razões políticas e económicas onde predomina o populismo cultural e identitário, ligado ao nacionalismo".

"Os países não transferiram ainda para a UE a política de fechar ou abrir fronteiras, colocando os seus interesses em primeiro lugar", apontou o politólogo, que lançou em plena pandemia a obra "Os estados desunidos da Europa", exatamente sobre este tema.

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