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Há menos gente a fumar mas DGS aperta cerco à publicidade

Há menos gente a fumar mas DGS aperta cerco à publicidade

Tendência de queda mantém-se há cinco anos. Programa Nacional quer reforçar fiscalização e aumentar o preço.

Há menos gente a fumar e exposta ao tabaco, mas a Direção-Geral da Saúde (DGS) quer reforçar medidas para que a tendência se mantenha. Aumentar o preço do tabaco e fiscalizar mais a publicidade ilegal são objetivos do Programa Nacional para a Prevenção do Controlo do Tabagismo (PNPCT) até 2022.

Atualmente é proibido fazer publicidade ao tabaco, mas uma sondagem dá nota de que 4% dos inquiridos dizem ver publicidade frequentemente e 8% de vez em quando, "o que significa que há violação da proibição de publicidade", sublinha Emília Nunes, diretora do PNPCT, adiantando que vai ser pedido às entidades fiscalizadoras, nomeadamente à ASAE, que reforcem a intervenção para "impedir estas violações da lei".

A medida consta das estratégias do PNPCT até 2022, que é esta sexta-feira divulgado. Outra medida passa por propor à tutela "aumentar o preço do tabaco", um pedido recorrente já que esta é "a medida mais eficaz para diminuir o consumo", explica Emília Nunes. Para além disso, acrescenta, é preciso continuar a fazer a rastreabilidade do tabaco para "combater o comércio ilícito".

De acordo com o relatório 2020 do PNCPT, o consumo de tabaco em Portugal continental diminuiu nos últimos cinco anos. Segundo o último Inquérito Nacional de Saúde (INS), em 2019, 16,8% da população residente no continente com 15 ou mais anos era fumadora, menos três pontos percentuais do que em 2014.

É uma "melhoria, mas temos de continuar a trabalhar para reduzir o consumo para um valor inferior a 5%", insiste a diretora do PNPCT, revelando que acredita que essa meta poderá ser alcançada em "2030 ou 2035", com ganhos relevantes para a "saúde e produtividade" da população.

Ainda não há dados sobre o ano passado, mas, devido à pandemia, "houve limitação de consultas" de apoio para deixar de fumar. Agora nota-se uma "procura maior".

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Entre 2014 e 2019, a proporção de pessoas diariamente expostas sofreu uma redução de 10,5%. Ainda assim, em 2019 estavam expostas diariamente ao fumo passivo 686 mil pessoas com 15 ou mais anos, contra 762 mil em 2014. Os locais de exposição mais referidos foram os de lazer (34,0%), seguidos da casa (30,4%) e do local de trabalho (25,7%). "Temos de tender para ambientes 100% livres de tabaco", defende a diretora do PNCPT.

Pior nos Açores

Os Açores eram, em 2019, a região com a prevalência de consumo mais elevada (23,4%), seguida do Alentejo (19,1%), segundo o Inquérito Nacional de Saúde.

Mais de 13 mil mortes

Em 2019, morreram cerca de 13 500 pessoas em Portugal por doenças atribuíveis ao tabaco, de acordo com as estimativas elaboradas pelo Institute for Health Metrics and Evaluation.

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