
Autarcas do Grande Porto dizem que números da região estão errados
Artur Machado / Global Imagens
Discrepância entre dados nacionais e locais leva DGS a contactar delegados de Saúde. Autarcas do Grande Porto dizem que números da região estão errados.
Não é só na Área Metropolitana do Porto (AMP) que o número de novos casos de infeção por covid-19, reportado pela Direção Geral da Saúde (DGS), é inferior à realidade. Também há discrepâncias significativas na Grande Lisboa, região em estado de contingência onde a pandemia está em maior força. Por exemplo, em Vila Franca de Xira, a DGS dava conta anteontem de 808 doentes, quando a Unidade de Saúde Local registava 899. Uma diferença de 91 casos.
Os números não batem certo, apesar de algumas unidades de saúde garantirem que estão a fazer o registo de novos pacientes atempadamente na plataforma clínica SINAVE (que é a base de trabalho da DGS). Embora anteontem não tenha assumido a existência de erros na nota enviada à Imprensa, a DGS iniciou um trabalho que visa corrigi-los.
"Está a realizar a verificação de todos os dados com as autoridades locais e regionais de saúde"e, enquanto esse trabalho não ficar concluído (o que sucederá "nos próximos dias"), o quadro de novas infeções por concelho não será atualizado. A informação surge no rodapé do relatório de situação da DGS, publicado ontem.
Mais 20 em gondomar
Se há incorreção nos dados regionais, também afetará o retrato nacional. Os novos casos de infeção reportados ao país estarão aquém da realidade. Os autarcas do Grande Porto ouvidos pelo JN garantem que a desconformidade entre os dados das autoridades locais de Saúde e os da DGS não é de agora, manifestando falta de confiança na informação prestada pelo organismo dirigido por Graça Freitas.
"Desde o início que a DGS, ao contrário de outras instituições do Ministério da Saúde, tem deixado muito a desejar. Há cerca de um mês que não reporta novos casos em Gondomar e tem havido evolução no concelho, embora seja um número pequeno", especifica Marco Martins.
O presidente da câmara gondomarense garante que, desde 9 de junho (dia a partir do qual o número de infetados não sofre alteração em oito concelhos da AMP nos boletins da DGS), foram detetados cerca de 20 doentes no município.
Também o presidente da Câmara da Trofa, Sérgio Humberto, garante ter mais 30% de infetados do que os 149 casos atribuídos pela DGS ao concelho, com a agravante de "mais de metade" dos novos contágios ser de trabalhadores que viajaram e tiveram contacto com pessoas infetadas em Lisboa e Vale do Tejo. "É lamentável", frisa o autarca, sublinhando que os casos registados pelas autoridades locais de saúde são comunicados à DGS.
Também Vale de Cambra e São João da Madeira notam um diferencial desde o início da pandemia, apesar de geralmente ser corrigido ao fim de alguns dias. Desta vez, está a demorar mais tempo do que é habitual. O JN confirmou que, desde 9 de junho, os delegados de saúde locais têm registado novas infeções, pelo menos, no Porto, em Matosinhos, em Gondomar, na Trofa, em Oliveira de Azeméis e em São João da Madeira.

