Coronavírus

Suspeito de coronavírus esteve à espera cinco horas antes de ir para hospital

Suspeito de coronavírus esteve à espera cinco horas antes de ir para hospital

A segunda suspeita de coronavírus em Portugal foi detetada em Felgueiras, esta sexta-feira, e mostrou algumas debilidades do sistema de socorro.

O doente, um cidadão italiano de 62 anos que presta serviços de robótica a empresas, esteve cinco horas dentro de uma ambulância dos bombeiros de Felgueiras, até à chegada da equipa especializada do INEM, que o levou para o Hospital São João, no Porto.

O italiano, Cláudio, começou a sentir-se mal após o almoço, contou ao JN Diana Peixoto, filha de Armindo Peixoto, o dono da Armipex: "Tinha muita febre e falta de ar e tinha tossido durante a noite. Pediu-me uma Aspirina, mas achei melhor levá-lo a uma clínica". Foi na clínica que o italiano disse ter chegado da China no dia 22, espoletando a suspeita de ter contraído o coronavírus.

De volta à fábrica, foi isolado numa sala e Diana ligou para a Linha Saúde 24. Pouco depois, chegaram os bombeiros de Felgueiras, mas Cláudio não rumou logo para o São João. Ficou fechado na ambulância até às 20.30 horas - perto de cinco horas - quando chegou a equipa especializada do INEM, contou Diana Peixoto. O protocolo determina que os meios são acionados só após confirmação da suspeita de coronavírus.

O JN ligou aos bombeiros de Felgueiras, que remeteram esclarecimentos para o INEM. O instituto remeteu para a Direção-Geral da Saúde, que disse não ter informação no momento.

Teste feito em Lisboa

Cláudio ficará no Hospital de São João até se confirmar se está infetado com o novo coronavírus. O JN sabe que o teste será feito no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em Lisboa, já que o São João não tem os kits necessários.

O cidadão italiano foi um de muitos que entraram no país desde que eclodiu a epidemia, vindo da China, sem que tivesse sido testado à entrada, como noticiou ontem o JN. Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, admitiu não haver capacidade para o fazer: "Não posso garantir que não existam outros casos [suspeitos]", principalmente se "vêm de uma área afetada". A sensibilização nos aeroportos será feita por cartazes em português, inglês e chinês.

"Estou revoltada"

A sensibilização não chegou a tempo para Cláudio e os trabalhadores da Armipex. Mal soube da suspeita de infeção com coronavírus, Diana Peixoto isolou as grávidas numa sala e distribuiu máscaras pelos 90 trabalhadores da fábrica. Os seis que tiveram contacto com Cláudio também usaram luvas.

Ao início da noite, o INEM disse-lhe que fosse para casa tomar banho e lavar a roupa. "Tive contacto com o Cláudio, e posso estar infetada! Tenho uma filha de sete anos. Estou revoltada". O marido levará a filha para outro local, até se saber o resultado da análise de Cláudio.

*com Emília Monteiro e Mónica Ferreira