Covid-19

Hospitais de retaguarda para aliviar a pressão

Hospitais de retaguarda para aliviar a pressão

Regiões de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e do Centro abrem estruturas e recebem doentes com covid-19 em estado menos grave.

As Administrações Regionais de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo e a do Centro estão a colocar em funcionamento hospitais de retaguarda para aliviar a sobrecarga das unidades hospitalares que, nos últimos dias, têm vindo a dar conta da elevada pressão nos seus serviços. Em Lisboa, está prevista a abertura do hospital de campanha montado, em março, no Estádio Universitário, e uma estrutura de alojamento (a Casa dos Atletas) cedida pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Na região Centro, será reativado o antigo Hospital Militar de Coimbra; e o Hospital de Campanha do Fontelo, em Viseu, começou ontem a receber os primeiros doentes do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS).

António Diniz, coordenador da Estrutura Hospitalar de Contingência de Lisboa (Estádio Universitário), explicou ao JN que não é garantida a abertura desta estrutura amanhã, pois ainda falta completar as equipas dos profissionais de saúde. Mas estão a ser feitos todos os possíveis para entrar em funcionamento esta semana, dada a grande sobrecarga dos hospitais da região.

De acordo com o responsável, os profissionais que vão prestar cuidados nesta estrutura (médicos e enfermeiros) são oriundos dos Cuidados de Saúde Primários e de outros serviços hospitalares não covid-19. Apenas os assistentes operacionais foram contratados, em junho, para este efeito. A estrutura, com capacidade para 58 camas, destina-se a doentes que necessitam de cuidados menos diferenciados.

Objetivo diferente é o do espaço cedido pela FPF. Segundo Luís Pisco, presidente da ARSLVT, em declarações à TVI24, tem capacidade para 88 camas, mas será para doentes que não são graves ou que não têm condições para cumprir isolamento em suas casas.

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Lotação máxima

Esta segunda-feira à tarde, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, estavam 294 doentes internados em enfermaria, para uma lotação de 305 camas, e 50 doentes críticos em Cuidados Intensivos para uma lotação de 55. O CHTS já tinha atingido os 100% da taxa de ocupação.

A sul, o Garcia de Orta, em Almada, tinha ontem 176 doentes infetados por covid-19 (17 em cuidados intensivos), a lotação máxima das camas disponíveis, e esperava a autorização de outros hospitais para transferir doentes. O Amadora-Sintra também estava a transferir doentes. O Hospital de Cascais também tinha ocupação de 100% na área covid.

Ordem diz que médicos já estão a priorizar vidas

A Ordem dos Médicos revelou esta segunda-feira que os clínicos já estão a ter de estabelecer critérios, porque não conseguem salvar todas as vidas. No documento "Grito de alerta pelos doentes", subscrito pelo bastonário, Miguel Guimarães, e pelo gabinete de crise para a covid-19, apela-se a um confinamento geral com medidas mais robustas. Na região de Lisboa, os hospitais registaram afluências altas às urgências na sexta-feira. No Centro Hospitalar de Lisboa Norte foram admitidos 295 doentes, no Lisboa Central (com pediatria e obstetrícia) foram 434, e no Beatriz Ângelo, em Loures, foram 193.

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