Covid-19

Hospitais querem mais ventiladores mas já há falhas a nível europeu

Hospitais querem mais ventiladores mas já há falhas a nível europeu

Há cerca de 500 equipamentos no país e outras soluções não invasivas, mas inquietação cresce. Em Itália, pedidos feitos aos fornecedores estão com espera de um mês.

Os relatos que chegam de Itália sobre a falta de ventiladores nos hospitais, obrigando os médicos a decidir entre os doentes com dificuldades respiratória graves que podem tratar e os que não podem, estão a fazer crescer a inquietação entre profissionais de saúde portugueses. O JN sabe que há hospitais a pedir a compra centralizada de ventiladores e outros a tentar comprar diretamente. Contudo, há relatos de que a nível europeu os fornecedores destes dispositivos estão com dificuldade em dar resposta aos pedidos.

"Em Itália, os hospitais pediram ao Governo a compra de mais ventiladores, mas estão têm de esperar um mês", afirmou ao JN João Carlos Wink, coordenador do grupo de ventilação não invasiva da Sociedade Europeia Respiratória, que tem estado em contacto permanente com colegas italianos.

O pneumologista do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho nota que Portugal não tem uma reserva estratégica destes dispositivos, tal como "existe nos Estados Unidos e no Canadá", e admite que podemos vir a ter dificuldades na compra de ventiladores, porque os principais fornecedores são europeus. "Espanha está numa situação complicada e estamos muito dependentes de fornecedores ibéricos", adiantou.

Em Portugal, está a ser feito o levantamento do número de ventiladores existentes, mas segundo as contas do pneumologista Filipe Froes, serão entre 500 a 600. Não há, atualmente, registo de falta destes equipamentos, até porque as necessidades ainda são poucas.

Porém, o coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para o Covid-19, Filipe Froes admitiu quarta-feira à noite, em entrevista à RTP, que "se tivermos muitos doentes graves é evidente que poderemos ter falta de ventiladores". Sobre a capacidade de resposta dos hospitais neste nível, disse ainda que "não somos dos países europeus com mais ventiladores.

Dois tipos de ventilação

João Carlos Wink salientou que, embora Portugal tenha um dos mais baixos rácios da Europa de camas de cuidados intensivos, há ventiladores noutros serviços dos hospitais e há outros mecanismos para manter os doentes a respirar, menos invasivos e que comportam mais riscos para os profissionais de saúde, mas que funcionam.

"Há a ventilação invasiva, em que o doente está entubado e sedado, e há também a ventilação não invasiva que passa pelas máscaras, capacetes, sondas nasais, que podem ser usados em fases menos graves", explicou o especialista, adiantando que este tem sido um recurso usado noutros países para libertar os outros ventiladores para os doentes mais críticos.

Cuidados redobrados

Porém, estes dispositivos não estancam totalmente o circuito respiratório, podendo saltar gotículas para o ambiente, que implica cuidados redobrados para os profissionais de saúde. "É possível usar a técnica em segurança, com alguns cuidados", explica João Carlos Wink, acrescentando que idealmente os ventiladores não invasivos devem ser usados em quartos de isolamento com pressão negativa, para evitar contágios.

"Quando e se as unidades de cuidados intensivos ficarem cheias, temos sempre a capacidade de usar esta técnica", refere, notando que os serviços de Pneumologia dos hospitais portugueses "estão bem apetrechados com esses ventiladores menos completos".

O JN tentou contactar a Associação Portuguesa de Dispositivos Médicos sobre as dificuldades do mercado, mas esta remeteu esclarecimentos para o Infarmed, que não deu resposta em tempo útil.

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