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Hospitais vão manter mais de metade das consultas por telefone

Hospitais vão manter mais de metade das consultas por telefone

É uma mudança que veio para ficar. Boa parte dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde vai manter mais de metade das consultas externas no modelo não presencial, ou seja, por telefone.

Por questões de segurança, nestes tempos de pandemia, mas também porque provou ser vantajoso para os doentes, sobretudo os que percorrem longas distâncias para ir ao médico. Os hospitais de S. João, Gaia, Aveiro e Feira, na região Norte, e Santa Maria, em Lisboa, são algumas das unidades que confirmaram ao JN a aposta no seguimento de doentes à distância.

Pelo menos enquanto a covid-19 durar, os corredores do Centro de Ambulatório do Hospital de S. João não voltarão a ser o que eram. A atividade das consultas externas foi retomada esta semana com menos mil doentes por dia do que era habitual e assim deverá manter-se nos próximos tempos, admite Xavier Barreto, diretor do Centro de Ambulatório do S. João.

Naquela ala do edifício agora só entram doentes com convocatória na mão e máscara na cara. Foram 800 na segunda-feira, 700 na terça. Antes da pandemia, eram 2000 por dia, mas esse número está agora fora de questão.

"Nunca poderemos receber mais de 800/900 doentes por dia, é o nosso limite máximo para podermos manter a segurança nas salas de espera", explica o médico, adiantando que é suficiente para responder a todas as primeiras consultas referenciadas pelos centros de saúde e às consultas subsequentes em que a presença do doente é fundamental. Mais de mil consultas por dia manter-se-ão por telefone.

Para os doentes que faziam grandes deslocações só para renovar receitas, esta medida faz ainda mais sentido. Foi uma mudança "boa" imposta pela pandemia e "que é para perdurar", diz o médico. A ideia é evoluir para as videochamadas e ter instrumentos que permitam fazer colheita de parâmetros clínicos à distância.

"Não há que ter receios"

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No Hospital de Gaia, entre 15 de março e 30 de abril, foram realizadas 22 mil consultas não presenciais, 60% do total. Em maio, a percentagem é para manter, embora a unidade conte receber mais doentes presencialmente.

Em Lisboa, no mês passado, o Hospital de Santa Maria fez 22 mil consultas à distância e 13 mil presenciais. O objetivo é aumentar em 50% os atendimentos no hospital, mantendo o mesmo número de consultas não presenciais para voltar à média de cerca de 60 mil consultas por mês.

Se o doente é convocado para uma consulta é porque a sua presença no hospital é essencial e "não há que ter receio", afirma Xavier Barreto. Os hospitais implementaram regras de higienização e distanciamento que vão desde a obrigação do uso de máscara, desinfetante para as mãos, lugares espaçados, controlo da temperatura e das entradas. Salvo raras exceções (como a mobilidade reduzida do doente), os acompanhantes ficam à porta. Esta tem sido a regra mais difícil de impor no S. João, reconhece Xavier Barreto. "Temos tido alguns conflitos à porta, há pessoas que têm dificuldade em aceitar que não podem entrar", diz.

Cirurgias recusadas

A par das consultas, também as cirurgias programadas estão a ser retomadas de forma progressiva. No bloco central do S. João, estão a funcionar oito das 12 salas operatórias para dar resposta a doentes "não covid" cujas cirurgias foram adiadas. "Nunca chegámos a parar totalmente, mas só estivemos a operar os doentes oncológicos muito urgentes", explica Susana Vargas, diretora do serviço. Agora, é a vez dos oncológicos prioritários e dos não oncológicos também prioritários. Com o esforço dos profissionais, foi retomada a atividade aos sábados e feriados para reduzir as listas de espera.

Apesar das condições de segurança e dos circuitos separados, "todos os dias" há recusas e pedidos de adiamento de cirurgias. "É muito grave, são doentes prioritários", alerta a médica, garantindo que "nesta fase é seguro ser operado no S. João".

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