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i3S investiga modelos preventivos para reduzir custos na saúde

i3S investiga modelos preventivos para reduzir custos na saúde

A investigadora Carla Oliveira do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), da Universidade do Porto, lidera a equipa internacional que investiga modelos de tratamento preventivo de doenças. Em análise estão benefícios para a saúde dos pacientes e redução de custos para o sistema de saúde em análise.

O projeto "Preventable", recentemente financiado com 5 milhões de euros pelo programa Horizon da Comissão Europeia, pretende evidenciar o custo-benefício de intervenções preventivas em pacientes com risco elevado de cancro face aos tratamentos normais.


Durante os próximos três anos, o projeto procura fazer uso do "conhecimento clínico especializado em síndromes tumorais hereditárias muito raras (RTRS), dados clínicos de famílias com estas doenças e a experiência de profissionais e doentes". Com a recolha desta informação, os investigadores querem demonstrar que não só é possível reduzir a taxa de mortalidade nestes pacientes mas também baixar custos no sistema de saúde.

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O projeto foi criado no seguimento de um primeiro estudo semelhante sobre o modelo de custo-benefício de tratamentos preventivos em síndromes de cancro hereditário da mama e do ovário. Este projeto, distinguido em 2021 com o Prémio de Investigação Alfredo da Silva, foi igualmente coordenado por Carla Oliveira.


"Já temos este piloto, pelo que será mais fácil trabalhar agora com as outras síndromes. Além disso, sentimos que é nosso dever demonstrar os grandes benefícios sociais e financeiros da prevenção, não só para os portadores e doentes com estas síndromes, mas também para os prestadores de cuidados de saúde, os cuidadores e para a sociedade em geral", sublinha a investigadora.

Oito síndromes raras

Apesar disto, entende o "Preventable" como um projeto "sem precedentes, completamente inovador e abrangente", dado que será o primeiro a basear-se em dados clínicos reais e complexos de doentes com oito síndromes raras em vez dos tradicionais modelos económicos preditivos usados.

"Comparamos os cenários em que houve prevenção de doença com os cenários dos que receberam tratamento, para aferir se há vantagem, em termos económicos e em termos de saúde dos doentes, quando se aplicam medidas preventivas", explica.

Nuno Teixeira Marcos, coordenador da Unidade de Prevenção de Cancro do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, um dos parceiros deste projeto, acrescenta que o trabalho do instituto "fará uso dos resultados gerados pela componente clínica do projeto, pela componente económica e pela componente sociológica, para criar um programa de informação especificamente segmentado para indivíduos de risco, médicos de primeira linha e decisores políticos".

A equipa de Carla Oliveira inclui parceiros de oito países europeus, dos quais cinco são portugueses, três são espanhóis, dois são franceses e os restantes da Noruega, Países Baixos, Alemanha, Reino Unido e Bélgica. Dos cinco milhões de euros alocados a este projeto pela União Europeia, o i3S vai receber 1,660 milhões de euros, enquanto as restantes instituições nacionais vão receber cerca de 1 milhão de euros cada uma. São elas: o Centro Hospitalar Universitário de São João, o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, a NOVA Medical School da Universidade NOVA de Lisboa e a Sociedade Portuguesa de Inovação. O projeto conta ainda com a colaboração da Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes Relacionados com Cancro Hereditário (EVITA).

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